Angélica Lúcio

Entrei em 2024 sem nunca ter ouvido a Palavra do Ano de 2023

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O Dicionário Oxford, de língua inglesa, tem uma tradição: eleger a Palavra do Ano. A escolha é feita com base nas pesquisas realizadas pelas pessoas em meio virtual e também no impacto do termo na sociedade. O anúncio da expressão que marcou 2023, segundo o dicionário, foi feito na primeira semana de dezembro passado, mas eu só a descobri há poucos dias: rizz.

Não foi a primeira vez que o Oxford elegeu uma palavra que foge ao meu repertório cultural. Em 2022, por exemplo, a palavra escolhida foi goblin mode, expressão coloquial para “um comportamento que é assumidamente preguiçoso, de uma forma que rejeita as normas sociais”, conforme reportagem da CNN Brasil.

Já o termo anunciado como o mais representativo de 2019, eu conheço bem: “emergência climática” (okay, okay, você pode estar pensando, são duas palavras; mas essa foi a escolha da publicação). Já em 2020, quando o mundo todo sofreu com a pandemia de covid-19, o Dicionário Oxford decidiu não escolher uma palavra, mas diversos termos, dentre os quais blursday (quando os dias da semana se confundem entre si); e infodemic (dado o excesso de informações sobre a pandemia). 

Sobre rizz, a tal Palavra do Ano, eu nunca tinha lido ou ouvido falar. Por isso, fui pesquisar mais na internet sobre o termo. Conforme o jornal Público, de Portugal, a palavra de 2023 tornou-se viral depois que o ator inglês Tom Holland (Peter Parker/Homem-Aranha nos cinemas) afirmou, ao ser provocado em uma entrevista ao Buzzfeed, que não tinha nenhum “rizz”.

Mas afinal, o que essa palavra significa? “Rizz é gíria para charme, estilo ou atratividade”. O jornal Público ainda explica que tal termo também está associado à capacidade de atrair alguém de forma romântica ou sexual. 

Mas de onde essa palavra saiu? Das redes sociais. O termo em inglês, li em reportagem da CNN Brasil, é derivado da palavra “carisma” na mesma língua (charisma). Ou seja, isso mostra que a língua, seja de que lado for do globo, é viva e está sempre em movimento, em constante mutação, como a própria sociedade. Mais: na matéria da CNN Brasil, aprendi também que rizz pode ser usado como verbo: “rizz up” (que significa atrair ou conversar com uma pessoa)”.

Até chegar a rizz como Palavra do Ano, os pesquisadores da Oxford University Press elegeram, inicialmente, oito palavras finalistas, que foram apresentadas em pares concorrentes para escolha do público. Depois, restaram quatro termos: além de “rizz”, “prompt” (instrução dada a um programa de inteligência artificial que influencia o conteúdo que ele cria); “situationship” (que significa uma parceria romântica que não é considerada formal ou estabelecida); e “Swiftie”  (nome dado a quem é fã da cantora Taylor Swift).

A maioria dessas palavras me diz muito pouco. A exceção fica para “prompt”, porque tenho lido muito sobre inteligência artificial. Mas o fato de “rizz”, “situationship” e “swiftie” não me afetarem diz menos dessas palavras e da escolha do público e mais de mim. Afinal, isso pode ser um indício de que estou vivendo em uma bolha — e ela não é lúdica, feita de uma mistura de água, sabão e alegria — e que preciso me abrir mais ao novo. Daí vem a lição que tiro de tudo isso: precisamos olhar para o mundo e para os outros sob um prisma diferente, livre de barreiras e de preconceitos. Tenhamos ou não rizz

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