Rafaella Brandão

Rafaella Brandão é advogada e jornalista, além de vice-presidente da OAB/PB e já presidiu a Comissão de Combate ao Racismo e Discriminação da OAB, além de ter sido Ouvidora da Comissão de Combate à Violência contra a mulher. Tem pós-graduação em Direito Processual Civil pelo Unipê e pós-graduação em Criminologia Social pela Universidade de Pisa/Itália
Rafaella Brandão
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Exaustão, sobrecarga… por que não reconhecemos os nossos limites?

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Enfrentamos uma pandemia jamais pensada em tempos modernos, de tecnologia e medicina avançadas, sofremos, choramos, permanecemos por meses trancafiados nos nossos lares, tivemos perdas inimagináveis, sobrevivemos, mas será que reaprendemos a viver?

A nossa saúde, o merecido descanso, o sono, o olhar sensível à dor do outro, os valores e princípios mais nobres tão necessários para uma convivência humanizada e solidária em sociedade, compreendemos realmente que precisamos respeitá-los?

O esgotamento do corpo também é reflexo do exaurimento mental, da energia e confiança que depositamos em missões, amizades, relacionamentos, projetos, planos de vida, que no fundo são idealizados, sonhados, mas infrutíferos. Atenção aos sinais!

Repensar, refletir, virar a chave, mudar de rota, reinventar, não são sinônimos de fracasso, de desistir, ou fraquejar, mas sim, de resiliência, de esperançar, de inovar, de reflorescer.

Por que aguardar rupturas desastrosas como pontos de partidas, de recomeço? Não seria o ideal que tantas situações de sofrimento pudessem ser evitadas? Por que certas situações previsíveis que serão certamente causas de angústia e sofrimento são desprezadas? Muitas vezes, somos nós e apenas nós os responsáveis pela nossa própria dor, pela dor do outro, no entanto, a escolha mais prática, mais vantajosa teoricamente e momentânea, é avançar desenfreadamente por propósitos passageiros, mesquinhos, antiéticos, sem responsabilidade afetiva e quando olhamos pra trás, o rastro de ações improdutivas e fundadas em objetivos rasos e desarrazoados, já causou um enorme estrago.

Tantos desastres naturais, diversas mortes, doenças, inimizades, ambientes tóxicos são previsíveis. O cuidado precário com a natureza, com a nossa energia, o nosso corpo, com quem está ao nosso lado precisam ser prioridade. Mudar de rota, abrir a mente e priorizar o autocuidado podem nos salvar, podem evitar machucar o outro, e podem sim, guiar as gerações futuras.

O apego aos deuses materiais, ao comando, a crença no poder de mover o mundo, de gerenciar espaços, de mover peças do jogo da vida, o culto ao egoísmo e ao individualismo podem camuflar a real felicidade, a paz e os momentos mais sublimes que simplicidade da vida proporciona.

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