A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de descontos não autorizados em contracheques de aposentados e pensionistas do INSS na Paraíba. Os valores estariam sendo cobrados por entidades associativas, sem o consentimento dos beneficiários.
De acordo com relatório da CGU, todos os 52 paraibanos entrevistados durante a apuração relataram descontos indevidos em seus benefícios. Embora a Paraíba não tenha sido alvo direto da operação realizada na última quarta-feira (23) pela Polícia Federal e pela própria CGU, o levantamento — publicado em setembro do ano passado — indica que fraudes semelhantes podem ter ocorrido no estado.
O esquema nacional, que envolve valores estimados em até R$ 6,3 bilhões, consistia na cobrança de mensalidades associativas sem autorização prévia dos segurados. A CGU também identificou alta incidência do problema em outros estados. No Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Maranhão, Amapá, Amazonas e Acre, 100% dos entrevistados relataram descontos não autorizados. Em estados como Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal e Goiás, os relatos ultrapassam 96%. No Espírito Santo, o índice foi de 89,7%.
Em nível nacional, 97,6% dos entrevistados afirmaram nunca ter autorizado esse tipo de cobrança, e 95,9% disseram sequer fazer parte de associações.
Na Paraíba, os beneficiários também relataram não saber a origem dos descontos e destacaram a dificuldade para cancelá-los, principalmente por conta de exigências relacionadas ao acesso digital e à ausência de orientações adequadas. Muitos, inclusive, desconheciam o aplicativo Meu INSS — principal ferramenta para consultar extratos e gerenciar autorizações.
Diante das irregularidades, a CGU recomendou ao INSS a suspensão imediata de novos descontos, a reavaliação dos convênios firmados com entidades suspeitas e melhorias nos mecanismos de controle e transparência desses processos.