Preso, deputado bolsonarista se nega a usar máscara e bate boca com agente do IML; veja

 

O deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PSL), preso no fim da noite de terça-feira (16), aparece em um vídeo usando palavrões ao se dirigir a uma funcionária do Instituto Médico Legal (IML), que pediu que ele colocasse máscara antes de realizar o exame de corpo e delito.

Ele chegou ao local sem máscara e um homem com distintivo entregou o equipamento ao parlamentar, que respondeu que tem “dispensa” de utilizá-lo. As imagens foram gravadas pelo assessoria do parlamentar.

“Aqui dentro não tem dispensa”, responde uma mulher. “Olha só, para a nossa proteção e para a sua, mas aqui dentro tem que usar máscara”, continua ela.

O deputado foi preso em flagrante após divulgar um vídeo no qual faz apologia ao AI-5, instrumento de repressão mais duro da ditadura militar, e defender a destituição de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o que é inconstitucional.

Nas imagens no IML, Daniel Silveira começa a rebater e é interrompido pela mulher. O homem com distintivo que entregou a máscara a Daniel Silveira o interpela e dá a impressão de também pedir o uso da máscara. O deputado insiste que tem dispensa.

– “Não existe dispensa”, diz ela.

– “Não existe? Não? Eu faço o quê? Rasgo?”, rebate o parlamentar. “A senhora não manda em mim não”.

Daniel Silveira caminha no local e volta a se dirigir a ela.

– “Meu irmão, a pior coisa é militante petista. Militante petista é um c*****. Reconhece e fala, “Pô, agora eu vou fazer meu espetáculo’. Não está falando com vagabundo não”.

A mulher volta a dizer que, dentro das dependências da Polícia Civil, ele precisa usar máscara.

– “E se eu não quiser botar?”, ele responde. “Se a senhora falar mais uma vez, eu não boto”, diz o deputado, que é acalmado pelo homem de distintivo. “Se a senhora falar mais uma vez eu tiro essa p***. Respeita que não está falando com vagabundo, não. Não fala mais não que eu não vou usar. A senhora é policial eu também sou polícia e aí. Eu sou deputado federal e aí?”, diz Silveira.

Novamente, o homem de distintivo tenta acalmá-lo. “Deputado, deputado”.

– “A senhora acha que eu não conheço a p*** da lei não? Folgada para c****”.

Após a discussão, o deputado federal é encaminhado para uma sala, para aonde vai usando a máscara, mas ao chegar ao local, as imagens mostram ele com o nariz descoberto.

O uso de máscara é obrigatório no Rio de Janeiro desde abril do ano passado.

Na manhã desta quarta, o advogado do parlamentar explicou que ele possui um laudo médico que dispensa a utilização de máscara.

Deputado foi proibido de entrar em voo

Em janeiro, o deputado foi impedido pela companhia aérea Gol de embarcar em um voo no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, porque estava sem a máscara.

Na ocasião, ele apresentou um atestado médico que indicava a dispensa da máscara por dor de cabeça crônica. A Gol não aceitou a justificativa, houve discussão e a Polícia Federal foi acionada para intermediar a decisão.

No dia seguinte ao caso, ele publicou um vídeo se referindo ao item como “focinheira ideológica”. Também em janeiro, o Twitter marcou postagens antigas dele como publicações de “informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à Covid-19”.

Em junho do ano passado, o parlamentar foi infectado pela Covid-19.

Prisão
O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) passou a madrugada desta quarta-feira (17) preso na sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro, na Zona Portuária da cidade. Ele foi preso em flagrante na noite de terça (16). O parlamentar divulgou um vídeo no qual faz apologia ao AI-5 e ataca seis ministros do Supremo: Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Dias Toffoli.

O deputado foi detido no fim da noite em Petrópolis, na Região Serrana do Rio. Após passar por exames no Instituto Médico Legal (IML), Silveira foi levado ao prédio da Superintendência da PF por volta de 1h30.

A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. Na decisão, Moraes definiu que o mandado deveria ser cumprido “imediatamente e independentemente de horário por tratar-se de prisão em flagrante delito”.

O ministro determinou que o YouTube retire o vídeo do ar, sob pena de multa diária de R$ 100 mil, e ordenou que a polícia armazene cópia do material. A decisão deve ser analisada pelo plenário do STF na sessão desta quarta.

Mesmo em flagrante e por crime inafiançável, a prisão de um deputado federal precisa passar pelo crivo da Câmara. Na decisão, Moraes diz que o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), deve ser “imediatamente oficiado para as providências que entender cabíveis”.

Com G1 e UOL

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