A solenidade de filiação do ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho e de seus aliados Márcia Lucena, Estela Bezerra, Cida Ramos e Jeová Campos ao Partido dos Trabalhadores aconteceu no fim da tarde de hoje de maneira remota com a participação de várias lideranças nacionais da legenda, como a presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann; os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além do ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad e o governador do Piauí, Wellington Dias.
Cada um deles teve oportunidade de falar a respeito da filiação de Ricardo e da ex-prefeita do Conde, Márcia Lucena, e da carta de intenções das deputadas e deputado que não podem mudar de partido imediatamente, mas aguardarão a janela paridária de março de 2022 para fazer a migração.
Dilma Rousseff se referiu a Ricardo como “amigo e futuro senador”. Ela disse que ele e Márcia foram vítimas de um massacre político, jurídico e midiático “forjado para intimidá-los”, fazendo referência à Operação Calvário (investigação que apura desvios de recursos públicos através de organizações sociais inseridas no Governo da Paraíba durante os mandatos de Ricardo). “Ninguém se perde na volta. Dou meu testemunho que você sempre esteve ao nosso lado e foi decisivo nos projetos sociais realizados pelo PT e nas lutas mais trágicas desse país que foram o golpe e a prisão do presidente Lula”, declarou Dilma. “Vocês voltam na hora certa. Vamos eleger Lula e uma bancada forte no Congresso para restabelecer a soberania nacional e reerguer nosso país”.
Por sua vez, Gleisi Hoffman destacou a filiação dos paraibanos como fundamental para enfrentar o atual presidente nas eleições do ano que vem: “A filiação de vocês é de quem sempre esteve junto com a gente e quem vê em Lula a esperança para o nosso país. Ricardo Coutinho estará na direção desse processo aí na Paraíba”.
Ricardo Coutinho declarou sua gratidão aos dirigentes estaduais e nacionais do PT por receber a ele e o grupo que lhe acompanha na filiação à legenda. Em relação a Dilma Rousseff, ele destacou que foi no mandato dela que houve o maior investimento em recursos hídricos na Paraíba. Crítico do governo de Jair Bolsonaro, Ricardo disse que o país viveu dois golpes: o primeiro em 2016 quando Dilma Rousseff sofreu impeachment e outro, em 2018, com a eleição de Bolsonaro. Para ele, o processo de prisão e decretação de inelegibilidade de Lula foi conduzido pelo então juiz Sergio Moro, que se tornaria ministro de Bolsonaro e teria agido para retirar o petista da disputa, favorecendo o capitão reformado. “O povo não escolheria Bolsonaro se Lula, que fez tanto pelo povo, estivesse na disputa. Hoje, o presidente é um pária internacional. Isso afeta os negócios, a economia e a imagem do povo brasileiro. A política deve ser feita por quem sempre respeitou o povo. Lula é uma necessidade do Brasil, que havia saído do mapa da fome, mas pouco tempo depois do Golpe, voltou a ele.
Em seu discurso, Luiz Inácio Lula da Silva creditou a Gleisi Hoffmann a articulação para receber Ricardo, Márcia, Estela, Cida e Jeová no PT e acrescentou que fará nova viagem ao Nordeste incluindo a Paraíba, Sergipe e Alagoas. Lula falou sobre o aumento de preço dos gêneros alimentícios, citando que um catador de material reciclável teria dito a ele, um dia antes de sua posse, que aquela seria a última vez que buscava algo para comer no lixo porque o governo do PT representava a esperança de dias melhores. O ex-presidente citou um episódio ocorrido nesta quarta-feira no Rio de Janeiro quando um caminhão carregado de ossos e restos de carne descartados por supermercados. “A gente precisa dizer ao povo que comer três vezes ao dia não é luxo. É necessidade! Que ele tem direito de reunir a família no fim de semana e comer churrasco, sarapatel, carne de sol e que é possível conquistar uma casa decente para morar”.