Allysson Teotonio

Jornalista, publicitário e fotógrafo


Histórias de pescador

Há três anos, o Brasil embarcou numa onda perigosa, cheia de tubarões famintos querendo engolir seus pares, os de barriga cheia e não menos famintos.

No dia 12 de maio de 2016, Dilma foi afastada da presidência por 180 dias e nunca mais voltou. O problema não foi não ter voltado. Foi ter saído da forma que saiu. Foi um grande erro.

Na maré alta de Sergio Moro, os escândalos de corrupção do governo do PT ganharam quase todos os holofotes, corações e mentes – e também os que mentem.

A grande imprensa se deliciou e jogou a isca no ventilador. Eram ingredientes perfeitos para adicionar à crise econômica da época, à inabilidade política de Dilma, ao indiscutível lamaçal no qual Lula havia mergulhado e à predisposição histórica de comer corda que o brasileiro tem. Essa mistura só podia acabar mal – ou bem – para alguns.

O Brasil nas mãos de Dilma estava bom? Não. Claro que não. Mas fomentar a instabilidade política foi a pior saída para a crise. Aécio Neves, o pescador de ilusões da época, que saiu robusto feito uma baleia das urnas, colocou fermento, turbinou a crise. Os tubarões inventaram uma tal de pedalada fiscal e deram um “pedala, Robinho” na ordem institucional. Gol. Mas o tempo mostrou que o impeachment foi um grande erro para a estabilidade nacional. Até hoje pagamos o preço.

Para o povo, na prática, nada no Brasil melhorou nos últimos três anos. A peleja é a mesma. O mar revolto continua não estando para peixe. A única coisa que prosperou foi a estratégia de derrubar o PT no tapetão, já que não foi possível derrubar nas urnas.

O impeachment tinha um só objetivo: derrubar o PT do governo para minar suas chances na eleição posterior. Nesse quesito, o golpe foi perfeito. Os tubarões só não sabiam que estavam abrindo uma brecha para uma reles piaba pular para a cadeira do presidente. Com essa, definitivamente, eles não contavam. Bolsonaro, o pesque-pague de quinta categoria.

O tempo passou. E os principais articuladores do impeachment de Dilma, fantasiado de cruzada verde-amarela contra a corrupção, estão na cadeia ou a caminho dela: Eduardo Cunha, Michel Temer e Aécio Neves. Detalhe: o trio inteiro envolvido em corrupção. Caiu na rede do tempo é peixe.

E Dilma, mesmo atirada ao mar e apesar de não ter se elegido ao Senado, está livre, leve e solta, pedalando. Já o Brasil não anda tão bem como Dilma. Nem de carro, afinal a gasolina já chegou a 5 reais em muitos lugares. Nem de avião para Disney, porque o dólar está a quase 4 reais.

Que o Brasil não é para amadores, isso todo mundo já sabia. Mas ninguém imaginava que um deles iria tão longe. Mas cuidado! De vacilo em vacilo, se não abrir o olho, os tubarões comem a piaba.

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