Deputados criam comissão multipartidária para ações em favor da barreira do Cabo Branco

Sem a presença de um representante da Prefeitura de João Pessoa, apesar de convite recebido da Assembleia Legislativa, foi realizada na manhã desta quarta-feira (8) uma audiência pública para debater o problema da erosão da falésia do Cabo Branco, por sugestão do deputado Ricardo Barbosa em parceria com o deputado Wilson Filho. Não faltaram críticas a essa ausência. Para os autores da audiência, é mais uma prova de descaso da Prefeitura, que deixou de aplicar milhões de reais assegurados pelo governo federal “por falta de planejamento e gestão responsável”. Os deputados decidiram formar uma comissão multipartidária para ações concretas em favor da falésia.

A intenção da audiência foi dar um grito de alerta em relação à situação da área do ponto extremo-oriental das Américas, reunindo políticos, técnicos e autoridades ligadas ao meio ambiente. “A Prefeitura de João Pessoa, por descaso ou descuido, já perdeu recursos federais destinados à realização de serviços na barreira, inclusive verbas destinadas pelo ex-senador Wilson Santiago e pelo então deputado federal Wilson Filho. Levando em consideração que fora autorizado em dezembro de 2018 o empenho, pelo Ministério da Integração, no valor de 65 milhões de reais para execução de obras do projeto de contenção da barreira e, até a presente data, o Município não realizou nenhuma intervenção efetiva no local, devemos intensificar as diligências e providências efetivas e cobrar da edilidade para que aja, tempestivamente, evitando o aumento da erosão”, destacou Barbosa, que também é presidente da Frente Parlamentar de Proteção do Conjunto de Falésias do Cabo Branco à Ponta do Seixas.

Já o deputado Wilson Filho disse que recursos assegurados não faltaram. “O que falta é vontade e responsabilidade. Estados vizinhos sonhariam em ter em seu território o ponto mais oriental das Américas. A Paraíba está em livros de geografia do mundo todo. Mas, a cada dia, esse ponto é ameaçado, a situação está cada dia pior por falta de gestão eficiente da Prefeitura”.

O vereador Léo Bezerra (PSB), que participou representando a Câmara Municipal, disse que é muito difícil dialogar com essa gestão municipal. “Aquela área inteira está abandonada, a Estação Ciência está em situação lamentável e a Prefeitura se recusa a discutir o problema. O prefeito sequer visita a falésia”, criticou.

Para o vereador Bruno Farias, a prefeitura é a maior responsável pelas soluções sugeridas para conter o processo de erosão. “Para além do processo de erosão, preocupa-me a corrosão da vontade política. De que adianta ir ao ministério, solicitar recursos, se não houver ação da prefeitura? Temos que formar outra comissão com deputados e vereadores e conversar com o próprio prefeito”, propôs.

O deputado Branco Mendes disse que todas as manhãs vai à falésia com um grupo de caminhantes e se entristece com o avanço da erosão. “Temos que juntar forças, independentemente de cor partidária”, sugeriu, em consonância com o pronunciamento de Barbosa. O deputado Eduardo Carneiro também reforçou a necessidade de esforços conjuntos, assim como os deputados Bosco Carneiro e Dra. Paula.

Perigo iminente

Já Belarmino Barbosa, engenheiro PHD em Minas, se dispôs a dar sua contribuição técnica, inclusive com projetos que ele já elaborou para a área. Em 2009, lembrou o deputado Ricardo Barbosa, a projeção feita por estudiosos das Universidades Federais da Paraíba e Pernambuco afirmava que, em cerca de 20 anos, a Paraíba poderia perder o título de ponto mais oriental das Américas por conta da destruição causada pela erosão nas Falésias onde estão localizados o Farol e a Ponta do Seixas, caso nenhuma medida de contenção seja tomada para tentar desacelerar esse processo natural.

“O tema não é recente, mas as preocupações e os problemas perduram no tempo sem serem tomadas as devidas providências. A Prefeitura de João Pessoa, há tempos, apresentou um plano de ação que ao longo do tempo se mostrou lento, ineficaz e inexequível. Anunciaram estudos milionários, investimento de 5 milhões de reais em obras de drenagem, implantação de gabiões a partir do mês de abril de 2019, mas, para nossa tristeza, nada foi feito”, apontou, lembrando que o governador João Azevedo demonstra grande preocupação com o desmoronamento da barreira e já prometeu lutar pela sua revitalização”.

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