Couto questiona ausência de familiares nas buscas por mortos na Guerrilha

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM), presidida pelo deputado Luiz Couto (PT-PB), realizou audiência pública na quinta-feira, 9, para discutir a operação do Grupo Tocantins, responsável pela busca de corpos de militantes mortos na Guerrilha do Araguaia, na década de 70.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, que integrou o grupo em 2003, participou da reunião e afirmou que as escavações começam em agosto. A audiência foi uma iniciativa de Luiz Couto e do vice-presidente da CDHM, deputado Pedro Wilson (PT-GO), também integrante da Comissão de Mortos e Desaparecidos que acompanha a operação da guerrilha.

O ministro declarou que o grupo conseguiu arquivos nacionais relevantes para a operação. Cerca de 85 pastas com documentos importantes foram enviados ao Ministério da Justiça, todos com participação ativa do Exército.

Segundo ele, o grupo de trabalho foi constituído em abril para cumprir uma determinação da Justiça de 2003, resultado de uma ação impetrada por familiares em 1982. A sentença determinava que, entre outras ações, a União localizasse as ossadas de desaparecidos na guerrilha.

Jobim informou que quatro sub-grupos integram a equipe: grupos institucionais brasileiros; equipe técnica (ministérios); observadores independentes e o Exército (apoio logístico). Nelson Jobim disse ainda que os familiares não fazem parte do grupo por estarem ligados diretamente ao episódio e por não aceitarem a posição de observadores.

Em apoio às famílias, Luiz Couto questionou o fato do Exército está à frente dessa ação. “Corre-se o risco de deixar para a história a versão de que a mesma instituição que esteve envolvida nesta questão ainda vai dizer se existem restos mortais ou não. Acreditamos que o problema fundamental persistirá se não houver uma medida de equilíbrio”, afirmou.

Já na avaliação do deputado Pedro Wilson (PT-GO), é importante que o grupo amplie as investigações a outros estados. Ele citou o assassinato de casal em Rio Verde, Goiás. O corpo do casal foi encontrado em uma fazenda próxima à cidade logo após a lei da anistia. O parlamentar citou, ainda, o depoimento do Major Curió contrariando versões anteriores. Ele sugeriu que o Ministério da Defesa solicite depoimentos oficiais a Advocacia Geral da União (AGU). “Muitas pessoas fazem depoimentos sobre a guerrilha ou desaparecidos políticos. Vimos o caso do Major Curió, mas penso que é importante recolher depoimentos oficiais já que há muita troca de informação e temos tantas instituições brasileiras envolvidas. Guerrilheiros foram executados e, além de sobreviventes como Zezinho do Araguaia, há jornalistas e familiares que podem depor de forma rica nesta operação”, concluiu.

O Grupo Tocantins trabalha atualmente no reconhecimento das áreas que possivelmente tenham ossadas. Depois do inicio da escavação em agosto, o resultado será avaliado em laboratório no mês de novembro.

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