Professora Lúcia Guerra lança livro reunindo ensaios sobre a ditadura e direitos humanos

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“Raspando as cores para o mofo aparecer” – esse verso da canção Ao que vai Nascer, de Milton Nascimento e Fernando Brant, traduz o livro Memória e Verdade sobre a Ditadura, que a professora Lúcia Guerra lança nesta terça-feira, às 16h30, na Fundação Casa de José Américo, no bairro Cabo Branco. Por isso, o verso foi colocado como subtítulo da obra, a qual reúne escritos da professora sobre as ditaduras militares que assolaram a América Latina no século XX.

A obra reúne artigos já lançados em outras publicações, alguns deles elaborados em parceria com colegas ou orientandos. Um deles, no entanto, é inédito em português: Os Financiamentos Privados Internacionais às Ditaduras Militares na América Latina, escrito em parceria com o professor Paulo Giovani Antonino Nunes, foi originalmente publicado no livro Memori di Repressione Resistenza e Solidarietà in Brasile e in America Latina, lançado em 2013, na Itália, pela Fundação Lelio e Lisli Basso, de Roma.

A intenção do livro Memória e Verdade sobre a Ditadura é reunir, em um só volume, artigos sobre violações de Direitos Humanos pelas ditaduras, tornando acessível esse conjunto de estudos resultantes das pesquisas de Lúcia Guerra como professora do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba.

A obra representa o trabalho da professora e pesquisadora que, no processo de desvendar a verdade sobre a ditadura, desmonta o cenário criado pelos governos militares, mostrando a verdade que as cores da propaganda encobrem: um regime de exceção que perseguiu, prendeu, torturou e matou os opositores, nascido de um golpe de Estado.

Na contracapa do livro, o professor Giuseppe Tosi escreveu: “Todos os ensaios procuram responder a uma questão central: quais foram as forças econômicas e políticas internas e internacionais que promoveram o regime de exceção no Brasil, com o seu rasto de violência, de mortes, de destruição? E por que, apesar das lutas de resistência, o fantasma do golpe e do autoritarismo continua assombrando a frágil democracia brasileira?”

Hoje aposentada, na Universidade Federal da Paraíba Lúcia Guerra esteve à frente da Pró-Reitoria de Extensão por doze anos. Exerceu ainda, dentre outros cargos, a Coordenação dos núcleos de Documentação e Informação Histórica Regional (NDIHR) e de Cidadania e Direitos Humanos (NCDH); presidiu a Comissão Permanente de Avaliação de Documentos e coordenou cursos de especialização em Organização de Arquivos e em Educação em Direitos Humanos.

Integrou a Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória do Estado da Paraíba, que esquadrinhou a atuação dos órgãos de repressão da ditadura no estado e atua no Comitê Paraibano Memória, Verdade e Justiça. Hoje está à frente da Gerência Executiva de Documentação e Arquivo da Fundação Casa de José Américo, faz parte da Comissão de Instalação do Memorial da Democracia da Paraíba e coordena o projeto de Preservação da Memória e Difusão Educativa, Cultural e Científica do Acervo da FCJA.

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