O cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, determinou que o padre Júlio Lancelotti suspenda temporariamente a transmissão de missas ao vivo e interrompa suas atividades nas redes sociais. A decisão foi comunicada diretamente ao religioso, que atua há mais de 40 anos na Paróquia São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, Zona Leste da capital paulista.
O próprio padre confirmou a medida durante uma celebração no domingo (14), ao informar aos fiéis que aquela seria uma das últimas missas transmitidas pela internet. As celebrações vinham sendo exibidas ao vivo pela Rede TVT (TV dos Trabalhadores), pelo portal ICL e pelo YouTube, alcançando milhares de pessoas.
Em declarações à imprensa, Lancelotti afirmou que a orientação do cardeal tem caráter temporário. “Dom Odilo me pediu para dar um tempo. Ele acha que é uma forma de recolhimento e de proteção”, disse. Questionado sobre sua posição diante da decisão, o padre afirmou que cabe a ele obedecer à determinação da Arquidiocese.
Reconhecido nacionalmente pelo trabalho junto à população em situação de rua e em vulnerabilidade social, o padre Júlio Lancelotti tem sido alvo frequente de críticas e ataques de parlamentares e lideranças políticas de direita. Recentemente, o deputado federal Junio Amaral (PL-MG) divulgou um vídeo afirmando ter levado à Embaixada do Vaticano um abaixo-assinado com mais de mil assinaturas pedindo o afastamento do religioso de suas atividades.
Além da suspensão das transmissões e da presença nas redes sociais, passaram a circular informações sobre uma possível retirada de Lancelotti da paróquia onde atua. O padre, no entanto, negou que essa decisão tenha sido tomada. Em nota divulgada nesta terça-feira (16), ele esclareceu que as missas continuam sendo celebradas normalmente, aos domingos, e que segue à frente da Paróquia São Miguel Arcanjo.
“As transmissões estão temporariamente suspensas, porém as missas dominicais continuarão sendo celebradas normalmente. Não procede a informação sobre a transferência da Paróquia São Miguel Arcanjo. Reafirmo minha pertença e obediência à Arquidiocese de São Paulo”, afirmou.
Lancelotti também explicou que, pelas normas da Igreja Católica, padres a partir dos 75 anos podem ser removidos de suas funções para aposentadoria. Ele completará 77 anos no próximo dia 27, mas ressaltou que há casos em que sacerdotes permanecem em atividade por mais tempo, a depender da necessidade da Igreja.
Até o momento, a Arquidiocese de São Paulo não se pronunciou oficialmente sobre a decisão nem sobre a eventual permanência do padre à frente da paróquia, mantendo indefinido o futuro do religioso em suas funções pastorais.