Acostumada a usar botijão por nove meses, consumidora fica sem gás de cozinha no desabastecimento

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Uma moradora do bairro João Agripino, em João Pessoa, usa um botijão de gás de cozinha durante nove meses. O consumo é pouco, moram na casa somente ela e o marido, mas, com a greve dos caminhoneiros, que começou no dia 21 de maio e se estendeu por cerca de 10 dias, o combustível do fogão acabou justamente no período de escassez do produto. Agora, ela se pergunta: “onde tem gás?”

Hermana Lins disse ao ParlamentoPB que está preparando comidas no microondas, justamente no mês em que a bandeira vermelha passa a valer na conta de energia, deixando o consumo mais caro. “Estou há três dias sem gás [de cozinha]”, disse ela, que mostrou, na foto, dois botijões já vazios, além do que está conectado ao fogão.

A consumidora não encontra botijão nem sendo vendido mais caro para poder suprir a própria necessidade. “Como o meu botijão acabou terça-feira (29), foi quando comecei a procurar. Não encontrei em lugar nenhum, nem com preço maior. Você vai se espantar com essa resposta. Somos eu e o marido. O botijão dura em torno de sete a nove meses. Nosso almoço chega pronto, uso no café da manhã e na janta. Troquei o último botijão em agosto de 2017. Mas, dessa vez, acabou na greve”, relatou ela ao portal.

Ela deixou de fritar ovos, assar queijo, cozinhar inhame, cuscuz e outros alimentos por causa da falta do botijão de gás no fogão. E, para driblar um pouco essa falta e o uso do microondas, ela ainda conseguiu dar um jeito. “Cozinhando na casa da minha irmã, que é perto.”

O gás de cozinha chegou em alguns locais, mas a procura está alta e pessoas estão tendo dificuldade de encontrar o produto. O Procon-JP já alertou que os consumidores estejam atentos aos preços abusivos e disse que o problema de não encontrarem botijões à venda é por conta da demanda reprimida.

“Está havendo dificuldade no abastecimento exatamente por conta já da demanda reprimida, pois muitos consumidores já estavam sem o produto nas suas casas e os revendedores, já por trabalharem no limite, não tinham capacidade de estoque. Isso fragilizou mais ainda a situação. Então, com o produto que aos poucos está chegando, não estão dando conta. Enfim, é ter paciência pois, pelo ritmo que está, vejo que teremos ainda umas duas semanas para a devida normalização”, explicou o secretário do Procon-JP, Helton René.

“A dica é o consumidor entrar em um dos grupos que criamos para compartilhar informações onde tem o gás para seu abastecimento pessoal e, se possível, agendar a compra do produto com seu revendedor. É o que se pode fazer no momento. Quanto aos valores, estamos de olho. Comerciante que estiver extorquindo o consumidor com valores acima da média de nossa última pesquisa, que foi em torno de R$ 65, no maior valor, será responsabilizado”, destacou ele.

 

 

Foto: Agência Brasil

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