A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) concedeu hoje a Medalha Augusto dos Anjos aо ator Mateus Nachtergaele. A honraria, proposta pelo deputado Felipe Leitão, é destinada a artistas e produtores culturais cujas ações e trajetórias promovem e enaltecem a cultura dentro e fora do Brasil. A sessão solene aconteceu no plenário da Casa Epitácio Pessoa e contou com a presença da deputada Cida Ramos e dos deputados Dr. Taciano Diniz, Dr. Romualdo, João Gonçalves e Luciano Cartaxo
O deputado Felipe Leitão ressaltou que conceder a Medalha Augusto dos Anjos ao ator Mateus Nachtergaele é uma forma de reconhecer sua notável contribuição no campo da arte e da cultura, através da sua atuação tanto na TV, no teatro, quanto no cinema. “Eu, particularmente, considero Mateus Nachtergaele o maior ator em atividade hoje no nosso Brasil e no mundo. Inclusive, ele não só recebeu prêmios em nível nacional, mas diversos prêmios internacionais. Mateus tem uma identidade muito grande com o povo paraibano”, destacou o parlamentar.
Confira a entrevista realizada por Will Amâncio para a TV Norte com Matheus Nachtergaele:
Felipe Leitão lembrou ainda que o ator foi responsável por levar o nome da Paraíba ao cenário mundial com sua atuação no filme “O Auto da Compadecida”, cuja história, embora se passe na cidade de Taperoá, foi filmada no município de Cabaceiras. A atuação rendeu ao ator o Título de Cidadão Taperoaense. “Matheus fez com que a nossa pequenina Paraíba fosse conhecida internacionalmente, através do personagem João Grilo, no filme ‘Auto da Compadecida’. Então, nada mais justo que a gente lhe conceder essa honraria como reconhecimento e gratidão a tudo que ele tem feito, representando o povo paraibano e o povo nordestino no país afora e no mundo afora”, completou Felipe Leitão.
Emocionado, Nachtergaele agradeceu pela homenagem e destacou que muitas de suas memórias profissionais e pessoais estão ligadas à Paraíba. “Todas essas homenagens e honrarias que eu tenho recebido daqui, eu devo a João Grilo e, talvez mais profundamente, a Ariano Suassuna, que eu conheci, que eu amei, que foi meu amigo. Sempre que estive aqui foi por um motivo maravilhoso: apresentando um filme, recebendo um carinho, ou, como hoje, sendo agraciado com essa medalha tão especial”, disse.
A solenidade marcou um momento de reconhecimento à contribuição de Mateus para o cinema, o teatro e a televisão, além da sua capacidade de representar, com autenticidade e sensibilidade, personagens nordestinos. “Hoje é uma data muito especial pra mim. A Medalha Augusto dos Anjos é uma das honrarias mais bonitas que a cultura pode receber aqui na Paraíba. Fico muito grato ao deputado Felipe Leitão e a esta Casa, que representa o povo paraibano. Então, é ao povo da Paraíba que eu agradeço”, declarou.
O ator relembrou os laços que o unem à Paraíba desde o início da carreira. “Quando você é ator no Brasil e recebe um personagem como o João Grilo para incorporar, e agora duas vezes, é como um chamado profundo da arte. A gente acabou de filmar O Auto da Compadecida 2, uma grande homenagem à obra de Ariano, e eu pude reviver esse personagem que me deu tanta alegria”, afirmou.
Paulistano, Nachtergaele afirmou ter encontrado no Nordeste um território de pertencimento artístico. “Eu fui recrutado pelo cinema brasileiro para percorrer o Nordeste, interpretando personagens nordestinos. Eu sou paulistano, de origem belga — portanto, inusitado — mas acho que meu tipo físico me permite ser paraibano, pernambucano, cearense… Eu fui aprendendo o Nordeste por dentro de mim, pelas paisagens e pelos personagens. É como se eu conhecesse o Nordeste por dentro”, disse.
Entre risos e lembranças, ele ainda recordou sua passagem por Cabaceiras, onde o clássico O Auto da Compadecida foi gravado. “Guardo muitas lembranças dali. Até um burrinho eu tive em Cabaceiras! Um rapaz me ofereceu para alugar o animal por um real, e eu aceitei. Era um gesto simbólico, mas que diz muito sobre o espírito daquele lugar: generoso, simples e cheio de humor”.
Mateus também falou sobre o papel da arte como instrumento de reflexão e crítica social. “Eu acredito que qualquer fazer artístico tem algo de político. O Auto da Compadecida, por exemplo, denuncia as injustiças sociais e de classe que o Brasil vive. João Grilo e Chicó são trabalhadores da última esfera possível, sempre à mercê de um patrão, de um coronel, da igreja. A obra é uma crítica sem precisar ser panfletária. É apenas arte — e isso já é político por si só”, avaliou.
Com humildade, o ator ponderou sobre o peso das homenagens. “Muitas vezes eu penso: sou só um ator que teve a sorte de viver o João Grilo, não mereço tanto carinho. Mas eu aceito com gratidão e espero honrar sempre os personagens brasileiros”, declarou.
Ao final, ele resumiu com simplicidade a essência de seu trabalho: “A matéria-prima de um ator é o povo. Se eu não tiver acesso às pessoas, é como se um pintor não tivesse acesso às suas tintas. Eu gosto de perambular entre as pessoas simples, ouvir suas histórias. É ali que mora a verdadeira sabedoria, aquela que a gente não encontra nos livros, mas no olhar do homem do povo”.
A solenidade contou ainda com as presenças do presidente da Funjope, Marcos Alves; do presidente da Academia Paraibana de Letras, Ramalho Leite; do ex-prefeito de Cabaceiras, Thiago Castro, além de fãs, artistas, autores e escritores paraibanos.
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