Walkiria Santos comenta morte do filho e aconselha cautela na internet; veja

A cantora Walkyria Santos perdeu nesta terça-feira, 3, o filho, Lucas Santos, de 16 anos. O rapaz foi encontrado morto no quarto dele no condomínio onde morava com a mãe, em Natal, capital do Rio Grande do Norte. A artista publicou um vídeo no fim da tarde e comentou a partida precoce do garoto, que tirou a própria vida. Ela lamentou o comportamento de haters (termo usado na internet para classificar pessoas que postam comentários de ódio ou críticas pesadas e sem critérios) que teriam contribuído para o suicídio de Lucas.

Muito emocionada, Walkyria pediu que os pais tenham cuidado com o que os filhos acompanham na internet e se referiu a um episódio recente ocorrido com o filho dela e que pode ter precipitado a morte dele, que sofria com depressão e chegou a ser encaminhado a um psicólogo. “Hoje eu perdi o meu filho, uma dor que só quem sente vai entender. Tem alguns vídeos dele, ele postou um vídeo no TikTok, uma brincadeira de adolescente. E achou que as pessoas iam achar engraçado, mas não acharam e destilaram ódio”, disse ela, acrescentando: “As pessoas deixaram comentários maldosos. Meu filho acabou tirando a vida, estou desolada e acabada. Estou sem chão. Estou aqui como uma mãe. Ele já tinha mostrado sinais, já tinha levado em um psicólogo. Mas foram os comentários nesse TikTok nojento que fez com que ele chegasse a esse ponto.”

De acordo com as pesquisadoras Lissandra Baggio, Lílian S. Palazzo e Denise Rangel Ganzo de Castro, o comportamento suicida muitas vezes ocorre como reflexo de conflitos internos, sentimentos de depressão e ansiedade que acompanham a profunda reorganização física, psíquica e social que ocorre na adolescência. Elas também lembram que o suicídio está entre as dez principais causas de morte na população mundial em todas as faixas etárias, ocupando o terceiro lugar no grupo com idade entre 15 e 34 anos.

Outros estudos relacionados ao assunto demonstram que o suicídio não é causado por um fator apenas. Ele normalmente é fruto de vários problemas relacionados e, segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 90% das mortes autoinfligidas seriam evitáveis. Para isso, as autoridades de saúde recomendam identificar e tratar os transtornos mentais, além de promover a sensibilização de jovens, pais, docentes e trabalhadores de saúde a respeito do tema. Outro aconselhamento é o de restringir o acesso aos meios letais mais comuns e prestar acompanhamento a pessoas que tentaram cometer suicídio e oferecer apoio.

São sinais de alerta: antecedentes familiares, irritabilidade, isolamento, depressão, ansiedade, passar por situações estressantes, falta de interesse, sentimento de estar aprisionado ou ser “um fardo”.

Atendimento público em João Pessoa – O Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil Cirandar (Caps Cirandar) atende crianças e adolescentes entre 3 e 17 anos que sofrem com transtornos mentais graves e persistentes, bem como aqueles que se encontram em situação de risco, devido ao consumo de álcool ou drogas, que tenham dificuldade em estabelecer e manter relações sociais na família, escola e comunidade, ou que tenham prejuízo na sua saúde em geral.

Atualmente, 581 usuários fazem atendimento contínuo no Caps Cirandar. Os transtornos variam entre tentativas de tirar a vida, bullying, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), transtorno de humor, dependência química e transtorno pós-traumático.

Serviço ofertado – No Caps Cirandar são oferecidos atendimentos de psicologia, psiquiatria, serviço social, terapia ocupacional, enfermagem, oficinas terapêuticas com educador social, práticas integrativas e dispensação de psicotrópicos com atendimento clínico farmacêutico, além de oficinas terapêuticas também para os familiares.

O funcionamento é das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira, na Avenida Gouveia Nóbrega S/N, em frente ao Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), no Roger. Para orientações, o público pode entrar em contato através do número 3214-6079.

Surtos – Em caso de surtos, o atendimento público é prestado no Pronto Atendimento em Saúde Mental (Pasm) que programa funciona 24 horas, todos os dias, no Complexo Hospitalar Governador Tarcísio Burity (Ortotrauma), no bairro de Mangabeira. O serviço, contudo, é destinado a maiores de 18 anos. O Pasm fica na Rua Agente Fiscal José Costa Duarte, s/n, Mangabeira II e o telefone é 3218-9727. Ele atende moradores de João Pessoa, Cabedelo, Bayeux e Santa Rita. O programa oferece atendimento de uma equipe multidisciplinar que envolve o médico psiquiatra, psicólogo, assistente social, enfermeiro, técnicos de enfermagem e equipe de apoio.

Após a acolhida, o paciente é encaminhado ao médico psiquiatra que avalia, medica e libera para casa, ou determina a permanência para estabilização do quadro clínico. O usuário poderá permanecer no Pasm até 72 horas, depois é encaminhado para outros serviços da Rede Municipal de Saúde.

 

 

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