Sandra Regina Ruiz Gomes, conhecida como Sandrão, pediu que a Justiça de São Paulo conceda uma liminar para obrigar a Amazon a retirar do ar a série “Tremembé” o quanto antes. A solicitação foi anexada na última quarta-feira (19) no processo movido por ela contra a multinacional, informado pela coluna em primeira mão na terça (18).
O caso corre no Tribunal de Justiça de São Paulo, que distribuiu a ação para ser apreciada pela 1ª Vara Cível da Comarca de Mogi das Cruzes.
A Amazon ainda não apresentou defesa. Procurada pela reportagem por email, a empresa diz que não comenta ações na Justiça. A defesa de Sandrão não se pronunciou até a última atualização deste texto.
No pedido, Sandrão diz que a série tem causado diversos problemas para sua vida. Além disso, a ex-detenta alega que a série levou ao ar um conteúdo ficcional usando sua imagem sem autorização, criando narrativas que não aconteceram na realidade.
Sandrão diz que “Tremembé” contou mentiras a seu respeito, especialmente sobre o crime pelo qual foi condenada. Sandra foi presa por participar do sequestro e assassinato de um adolescente de 14 anos em Mogi das Cruzes, em 2005.
A sentença, à qual a reportagem teve acesso, foi originalmente de 27 anos, posteriormente reduzida para 24 anos em recurso. Ela sempre alegou ter sido coagida e ameaçada de morte para fazer as ligações pedindo um resgate de R$ 30 mil à família da vítima, que informou ter apenas R$ 3 mil.
O adolescente foi assassinado com um tiro na cabeça mesmo após o contato. Na série, Sandrão é mostrada como a mentora intelectual do crime, o que, segundo os autos da sua ação, não é verdade.
Sandrão reclama de uma cena em que ela dá uma arma a um menor de idade para cometer o crime, o que não teria acontecido.
Não seria a primeira vez que a Amazon teria de retirar conteúdo de sua plataforma. Em 2020, a Justiça de Santa Catarina obrigou o Prime Video a apagar cenas de sexo gravadas sem consentimento exibidas em dois episódios do reality Soltos em Floripa.
Como informou a coluna, Sandrão processou a Amazon e pede R$ 3 milhões de indenização por danos morais, direitos de imagem e excessos na liberdade de expressão. Ainda não há uma data para a Justiça decidir sobre as solicitações da ex-detenta.
F5, Folha Online