Terceirizado é preso suspeito de estuprar servidora na Delegacia-Geral da Polícia do Piauí

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Uma servidora foi encontrada desacordada e com sangramento dentro da Delegacia-Geral da Polícia Civil do Piauí, em Teresina, na quinta-feira (19). Ela está internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular e não tem previsão de alta.

A Polícia Civil, que investiga o caso, entende haver indícios de que ela tenha sofrido estupro. Um prestador de serviços terceirizado, de 34 anos, está preso preventivamente suspeito de praticar o crime. A defesa dele afirmou que vai se manifestar somente após o “devido esclarecimento dos fatos” e desejou “plena recuperação” à vítima.

1. Quando a servidora foi encontrada desacordada?
A servidora foi achada desacordada, por volta das 13h de quinta, por uma funcionária da Delegacia-Geral. Ela teria voltado ao local após o horário de almoço dos servidores e visto o prestador de serviços saindo de uma das salas.

O delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, informou que ela foi encontrada em uma das salas do pavimento superior do prédio, com sangramento.

Ela foi levada ao hospital, enquanto o suspeito foi conduzido à Casa da Mulher Brasileira, em Teresina, para prestar depoimento sobre o caso.

2. Qual é o estado de saúde da servidora?

Segundo a advogada da servidora, Nathália Freitas, ela ficou intubada por três dias na UTI de um hospital público. A família conseguiu transferi-la para um hospital particular na segunda-feira (23), onde ela permanece em estado grave.

A família da servidora afirmou que ela apresenta episódios de extrema agitação, demonstrando estado de pânico, com gritos constantes por socorro e pedidos de proteção.

“O quadro inclui, ainda, significativa confusão mental, o que reforça a gravidade da violência sofrida e a necessidade de cautela na divulgação de informações”, afirmou a advogada.

3. Por que a polícia suspeita de estupro?

De acordo com Luccy Keiko, as investigações reuniram provas e depoimentos que apontam para estupro. Uma perícia está sendo feita pelo Instituto de Medicina Legal para concluir se houve o crime.

“Havia um prestador de serviços na sala, juntamente com a servidora. As informações dele foram contraditórias e, ao confrontá-las com outras provas obtidas no hospital e com servidoras do prédio, entendemos haver elementos indicativos de estupro”, disse o delegado-geral.

“Ela ficou inconsciente. O que vimos de lesão visível externa foi uma luxação no punho, uma possível fratura no punho. Como ela sangrou muito, ela perdeu a consciência”, acrescentou.

4. O que o prestador de serviços disse?

O prestador de serviços terceirizado tentou culpar a servidora em depoimento à Polícia Civil, informou o delegado-geral.

“Em segundo depoimento admitiu o ato [sexual], mas tentou culpabilizar a vítima. Alegou que teria sido uma relação consensual”, apontou Luccy.

Os celulares da vítima e suspeito foram apreendidos pela Polícia Civil, que vai investigar possíveis conversas entre ambos.

5. O prestador de serviços está preso?
O prestador foi autuado em flagrante por estupro, na Casa da Mulher Brasileira, e teve a prisão convertida em preventiva durante a audiência de custódia. Ele está em uma penitenciária.

O suspeito foi contratado em 2018 e trabalhou no Instituto de Medicina Legal. Há cerca de três meses, foi designado para a nova sede da Delegacia Geral, onde atuava em setor diferente da servidora.

Ele também já foi investigado pelo linchamento de um homem suspeito de assalto há cerca de 10 anos, segundo a Polícia Civil.

6. O que acontece agora?

A Polícia Civil aguarda o resultado dos exames feitos pelo IML para atestar se houve violência sexual e se a vítima foi dopada de alguma forma.

O delegado-geral Luccy Keiko informou que a demissão do terceirizado foi solicitada. O Governo do Piauí ainda não assinou a decisão.

As delegadas Nathalia Figueiredo, do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa; Lucivânia Vidal, da Casa da Mulher Brasileira; e Bruna Verena, diretora de Proteção à Mulher e aos Grupos Vulneráveis, foram designadas para acompanhar o caso.

 

 

 

G1 Piauí

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