SVO esclarece causas de mortes de mais de 5 mil paraibanos, em 7 anos

Em quase sete anos, o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) esclareceu as causas da morte de 5.155 paraibanos. O serviço – implantado pela Secretaria de Estado da Saúde, na gestão do secretário José Maria de França, em 2002 – tem evitado que milhares de pessoas sejam sepultadas, sem que os verdadeiros motivos dessas mortes sejam conhecidos. O óbito indefinido, além de gerar mais sofrimento e inconformismo aos familiares das vítimas lhes negando um direito, dificulta a elaboração de políticas públicas na área de saúde. Só a partir de dados sobre as principais causas de morte e as doenças que mais matam, por exemplo, os governos podem direcionar e priorizar ações e estratégias para combater e prevenir esses males.

Os corpos que dão entrada no SVO são submetidos a exame de necropsia (análise da alteração patológica de órgãos e tecidos) para esclarecimento da ‘causa mortis’. Nesses 5.155 casos esclarecidos, a principal causa de morte foram as doenças do aparelho circulatório (com 2.536 desses óbitos), seguidas das doenças do aparelho respiratório (com 469) e das neoplasias (457 óbitos). De janeiro deste ano até agora 373 corpos deram entrada no SVO, sendo 183 mortes causadas pelas doenças do coração; 34 por doenças do aparelho respiratório e 28 por cânceres.

Parceria – O SVO funciona no Campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, através de uma parceria entre a instituição e a SES e está subordinado à Gerência Executiva de Vigilância em Saúde da SES. A UFPB cedeu o espaço físico e paga a água, luz e Internet, enquanto que o Governo do Estado entra com os equipamentos, a contratação dos profissionais e a manutenção dos serviços. A equipe é formada por cinco patologistas, cinco necrotomistas, um auxiliar de necropsia, dois atendentes, dois motoristas e um diretor, totalizando 16 profissionais.

De acordo com o diretor Jean Hallyson Vicente Ferreira, a maioria dos corpos que chega ao Serviço é de pessoas idosas, que têm morte natural, em casa, mas o serviço também esclarece óbitos ocorridos em hospitais públicos e privados. Ele explicou que quando a pessoa morre em casa, os familiares procuram uma delegacia de polícia, que aciona o SVO. Quando a família tem condições financeiras, o corpo é levado pela funerária, mas quando isso não acontece a ambulância do SVO vai buscá-lo em casa.  Ele explica que antes do corpo ser submetido a exames é feita uma entrevista com os familiares da vítima para saber o histórico clínico do falecido, que vai ajudar o trabalho do médico na identificação do órgão a ser examinado e, consequentemente, no esclarecimento da causa da morte.

No caso de corpo vindo de hospital, quando o médico que atendeu a vítima não atesta a causa da morte no laudo cadavérico, ele encaminha o histórico clínico da pessoa.  Jean Hallyson afirmou que aumentou muito o número de corpos vindos dos hospitais. De acordo com ele, muitas vezes o médico prefere que o SVO ateste a causa da morte. O resultado dos exames sai entre 40 minutos e uma hora.

Diagnóstico de morte – O diretor do SVO explicou que o órgão também atende aos casos registrados em via pública. “Muitas vezes a vítima vem andando e tem uma morte súbita e aí nós somos acionados”, disse Jean Hallyson. O SVO atende a todo o Estado. Ele explicou que a necropsia só é realizada seis horas após o óbito, quando o corpo obtém a rigidez. “Se houver a suspeita de que a pessoa não faleceu de morte natural, ou seja, apresente traços de violência, envenenamento, overdose de álcool ou outra droga, o cadáver é encaminhado ao Departamento de Medicina Legal (DML), para a realização do exame toxicológico e o diagnóstico da morte”, afirmou o diretor.

Jean Hallyson destacou que o SVO, além de identificar e esclarecer a causa da morte das pessoas, também contribui para a elaboração de políticas públicas na área de saúde. “A partir de dados sobre a incidência das doenças que mais matam, fica mais fácil para os Governos trançarem seus planos e estratégias para o combate e prevenção dessas patologias”, disse o diretor.

Ele reconheceu que o serviço ainda é pouco conhecido da população e até dos profissionais de saúde. O órgão funciona das 7h às 16h para a realização de exames e até as 17h para o recebimento de corpos.  Nos finais de semana e feriados, o serviço atende das 7h às 14h. O telefone do SVO é o 3218-7371.

Formação acadêmica – O SVO também é usado por estudantes da área de saúde da UFPB e de outras instituições de ensino públicas e privadas para as aulas práticas sobre a anatomia patológicas e as patologias de um modo em geral. De acordo com o diretor técnico e patologista do SVO, Hálamo Moura, o serviço já foi tema de várias monografias e tem ajudado na formação acadêmica desses estudantes.

A direção técnica do SVO também está construindo um banco para o armazenamento do material colhido do órgão afetado e que foi analisado e diagnosticada como causa da morte. “Será mais uma ferramenta didática que com certeza vai ajudar a enriquecer os conhecimentos dos estudantes da área saúde nas suas pesquisas sobre as patologias”, disse Hálamo Moura.

 

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