Siro Darlan critica intervenção no RJ: “É inconstitucional e desmoraliza Exército”

O desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a democracia, Siro Darlan, fez hoje em João Pessoa duras críticas à intervenção federal decretada pelo presidente Michel Temer no Estado do Rio de Janeiro, deixando a segurança pública fluminense sob responsabilidade de um interventor militar, que responde ao presidente da República. Para o magistrado, a atitude é “inconstitucional” e “desmoraliza as Forças Armadas”. Para ele, os pobres foram escolhidos como inimigos pelo governo federal e estão sendo alvo de violência que é incapaz de resolver a própria violência. “Não sei porque motivo os generais cederam a essa tentativa de ser personagem de nossa História, entrando mais uma vez por caminhos errados. As Forças Armadas são uma instituição da maior importância, mas não sabem fazer segurança pública e expõem os recrutas que não são treinados para isso e são colocados numa guerra que já existe há muito, mas agora está institucionalizada. Quando as Forças Armadas entram num conflito é porque existe um inimigo muito claro e esse inimigo no Rio de Janeiro são os pobres”, disse Siro.

A entrevista dele foi concedida ao programa Paraíba Verdade, da Rádio Arapuan FM. O desembargador foi convidado pelo deputado Jeová Campos (PSB) para participar de uma audiência pública que discutirá na manhã desta sexta-feira o tema “A segurança pública no Brasil e políticas sobre drogas: o que fazer?”. A proposta foi também do deputado Trocolli Júnior e o evento vai ocorrer na Câmara Municipal de João Pessoa, já que se trata de uma realização conjunta dos dois legislativos.

Siro nasceu em uma família humilde de Cajazeiras, sertão da Paraíba e chegou ao Rio de Janeiro em 1951, aos 2 anos de idade, em companhia da mãe, Maria de Lourdes, que, num gesto ousado para a época, separou-se do marido.

1 comentário

  • Joe
    08:34

    Interessante.
    As Forças Armadas estão fazendo o seu melhor.
    Trabalhando duro, inclusive finais de semana.
    Por que?
    Porque as autoridades da esfera estadual, aí incluidos os juízes estaduais, não conseguiram cumprir seu papel.
    O juiz faz parte disso.
    Num momento grave como esse toda ajuda é bem vinda.
    O juiz deveria agradecer e se apresentar ao Interventor perguntando “Como posso ajudar?”.

    Acho que a população que paga o seu salário enorme de juiz e seus 2 MESES DE FERIAS ANUAIS ficaria mais satiafeita.

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