Ricardo assina carta de governadores do NE contra privatização da Eletrobras e Chesf

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O governador Ricardo Coutinho assinou nesta sexta-feira (18), juntamente com demais governadores do Nordeste e de Minas Gerais, uma carta em que se posicionam contra a privatização da Eletrobras e suas subsidiárias. Os gestores estaduais se reuniram hoje no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo pernambucano, na área central do Recife.

“Essa não é a agenda que o Brasil votou em 2014. Essa pauta foi derrotada. Está em cima da mesa porque passaram a governar sem terem sido eleitos e ninguém pode afetar tão profundamente a vida coletiva da sociedade sem passar por uma eleição”, disse o governador Ricardo Coutinho, sobre a política de privatização do governo Temer.

Além de Ricardo e do governador anfitrião, Paulo Câmara (PSB), estiveram presentes os governadores do Rio Grande do Norte (Robinson Faria – PSD), Ceará (Camilo Santana – PT), Piauí (Wellington Dias – PT), Bahia (Rui Costa – PT) e Minas Gerais (Fernando Pimentel – PT).

“Toda a região do Nordeste está unida, o estado de Minas Gerais está solidário a nós contra a privatização do sistema Eletrobras, da Chesf, que, no nosso entender, na verdade, caso ocorra, é a privatização do Rio São Francisco, da vazão da água. Isso vai afetar milhares de famílias nordestinas que têm hoje, com a conclusão do canal de transposição do Rio São Francisco, um ativo importante para o abastecimento de água e ao mesmo tempo para a produção dos projetos irrigados. E tudo isso é motivo de preocupação”, disse o governador de Pernambuco, Paulo Câmara.

O governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), esteve no início da manhã e foi embora antes do término da reunião. Faltaram ao encontro os governadores de Sergipe (Belivaldo Chagas – PSD) e do Maranhão (Flávio Dino – PCdoB) .

A carta assinada pelo governadores aborda as preocupações dos gestores com a privatização da Chesf, que usa a água do Rio São Francisco para gerar energia elétrica. “Se a água pertence ao povo, usada por agricultores e em atrações turísticas, como privatizá-la? Não podemos privatizar um setor tão estratégico como esse”, disse o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria.

Repasses

O documento ainda direciona críticas às politcas de segurança e de repasse de recursos aos estados.

“Eles [o governo federal] têm mudado a regra e, na nossa opinião, até de forma ilegal, para impedir que recusos chegem aos estados. Impedindo crédito até mesmo de bancos internacionais, onde o governo federal não bota um real. A Bahia, como outros estados, tem um contrato pronto pra assinar com um banco europeu e o governo federal impede que isso aconteça”, disse Rui Costa, governador da Bahia.

Pleitos

A carta divulgada ao final do encontro cobra “efetivas soluções” para 11pleitos, entre investimos, financiamentos e apoio para a região voltar a crescer. Confira:

“1. Rediscussão do Equilíbrio Federativo no que diz respeito a receitas, transferências, despesas e competência;

2. Exclusão da Chesf do grupo Eletrobrás, transformado-a numa empresa pública, vinculada ao Ministério da Integração Nacional;

3. Ações de convivência com a seca e a conclusão da Transposição do Rio São Francisco e demais obras hídricas;

4. Adoção de medidas para superar o subfinanciamento do Sistema Único de Saúde – SUS, como forma de reverter a precarização dos serviços de saúde;

5. Estruturação do Sistema Único de Segurança Pública e de um Plano Nacional, com efetiva operacionalização e desembolso do crédito anunciado;

6. Retomada das obras das ferrovias Transnordestina, de Integração Oeste Leste Baiano (Fiol) e Norte-Sul, e de outras obras estruturadoras;

7. Priorização da região Nordeste no programa de concessões e novos leilões da ANP;

8. Incentivo à modernização e competitividadeda indústria nacional, com olhar especial para o setor de petróleo, óleo e gás, propiciando o crescimento, revertendo a retração da economia e gerando emprego e renda no Brasil;

9. Disponibilização de recursos orçamentários para o Sistema Único de Assistência Social (Suas) e seus diversos programas, em especial o Bolsa Família, que tem sofrido cortes inegáveis;

10. Desoneração do PIS e Confins, sobre faturamento das companhias estaduais de saneamento básico;

11. Acesso efetivo aos funanciamentos incluídos no Programa e Ajuste Fiscal (PAF), pactuado com a União.”

CARTA-ABERTA-DOS-GOVERNADORES-DO-NORDESTE-E-DE-MINAS-GERAIS-2

ParlamentoPB e G1PE

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