Presidido por paraibano, Conselho Nacional de Agricultura diz que greve inviabiliza setor rural

Presidido pelo paraibano Rômulo Araújo Montenegro, o Conselho Nacional dos Secretários de Estado de Agricultura (CONSEAGRI) reivindicou nesta terça-feira, em nota oficial, fim da greve dos caminhoneiros que, segundo a entidade, está inviabilizando as atividades do setor rural brasileiro.

Na íntegra, o documento assinado pelo secretário estadual de Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca diz:

“O Conselho Nacional dos Secretários de Estado de Agricultura (CONSEAGRI), extremamente preocupado com a longa duração do protesto dos caminhoneiros, manifesta o justo desejo de que prevaleça o bom senso dos manifestantes e a disposição do Governo Federal em reconhecer a importância e essencialidade dessa categoria de trabalhadores para o transporte da produção agrícola brasileira e abastecimento, mormente dos itens da cesta básica.

Para o CONSEAGRI, a manutenção desta crítica situação indefinidamente põe em risco de colapso as principais cadeias produtivas do agronegócio, cujos ciclos são definidos e exigem a utilização de insumos essenciais de forma intermitente.

É gravíssima, por exemplo, a situação dos suinocultores, avicultores e piscicultores porque, além da falta de alimentos para os animais essenciais a suas atividades, seus plantéis estão sendo dizimados.

Outro exemplo dessa gravidade: o escoamento da produção de grãos, que historicamente enfrenta a deficitária logística brasileira, com estradas precárias, portos sobrecarregados, taxas absurdas e pedágios desproporcionais, agora piora vertiginosamente com a persistência dos protestos.

Acrescentem-se a esse quadro alarmante as ameaças concretizadas que o setor sucroenergético experimenta, com canaviais incendiados por manifestantes para impedirem a saída de etanol das unidades industriais para atender o abastecimento de combustíveis por parte dos postos.

As destilarias de São Paulo e do Centro-oeste suspenderam suas atividades em decorrência da falta de combustíveis para seus veículos de transporte de cana e insumos básicos da produção e até para alimentação regular dos seus parceiros/colaboradores.

Urge, neste momento, se rediscutir o monopólio de distribuição de combustíveis, permitindo-se ao produtor nacional de etanol entregá-lo diretamente aos postos.

Malefício maior ainda são os efeitos colaterais desta continuidade e a incerteza que paira sobre a possibilidade de solução para este confronto entre os setores privado e público.

Por tudo isso, este Conselho roga às autoridades federais, estaduais e municipais que estabeleçam um pacto em favor do encerramento da greve, da retomada da produção e do abastecimento. E que os segmentos privados reivindicantes estejam abertos ao diálogo, com apresentação de propostas viáveis.  

Enfim, é emergencial que as partes envolvidas no impasse façam o Brasil voltar à ordem, à paz e ao progresso”.

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