Dom Manoel Delson

Dom Manoel Delson cursou Filosofia e Teologia em Nova Veneza (SP) e no Instituto de Teologia da Universidade Católica de Salvador (BA). É licenciado em Letras e tem Mestrado em Ciência da Comunicação Social, em Roma, na Pontifícia Universidade Salesiana. É Arcebispo da Paraíba.


Pregar o Evangelho de Cristo

O Apóstolo Paulo, o grande pregador da Palavra de Deus no cristianismo antigo, chama-nos para a atenção da necessidade de se pregar o Evangelho de Cristo, sem privilégios e glórias: “Pregar o Evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o evangelho!” (1Cor 9,16). A vida cristã que abraçamos a partir do Batismo, solicita-nos essa pregação, e devemos cumpri-la de forma existencial. Somos também chamados a ser pregadores da Palavra de Deus aonde quer que estejamos.

Por que devemos levar o Evangelho de Cristo no coração e na vida? Uma das grandes respostas está na certeza de que somos infinitamente amados pelo Bom Deus que nos chama ao cotidiano exercício da bondade. O Papa Francisco afirma com voz forte que “o bem tende sempre a comunicar-se. Toda a experiência autêntica de verdade e de beleza procura, por si mesma, a sua expansão; e qualquer pessoa que viva uma libertação profunda adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros. E, uma vez comunicado, o bem radica-se e desenvolve-se. Por isso, quem deseja viver com dignidade e em plenitude, não tem outro caminho senão reconhecer o outro e buscar o seu bem. Assim, não nos deveriam surpreender frases de São Paulo como estas: ‘O amor de Cristo nos absorve completamente» (2 Cor 5, 14); ‘ai de mim, se eu não evangelizar!’ (1 Cor 9, 16)”. O amor de Deus nos acompanha em todas as fases da vida, e não devemos reter esse amor, faz-se necessário alargar aos outros. Neste contexto pandêmico, nossa missão de cristãos deve levar a todo custo o reconfortante amor de Deus. Por meio de tantas iniciativas caridosas, que nossa Arquidiocese tem se empenhado em realizar, os homens e mulheres que sofrem vão testemunhando que o bem não conhece fronteiras. O amor de Deus, fonte de nossa ação evangelizadora, não deixa ninguém para trás.

Nosso Senhor ensinou-nos a fazer o bem em qualquer circunstância. Ele curou a muitos, assim como a Igreja continua a curar por meios dos sacramentos, quando o pôr do sol da vida nos causa temor. No Evangelho deste domingo, Jesus vai à casa de Simão Pedro e André e cura a sogra de Pedro, que estava padecendo de febre. O gesto de Jesus de tomá-la pela mão, ajudá-la a levantar-se e curá-la mostra-nos a força de sua missão no meio da humanidade. “Jesus vindo do Pai vai à casa da humanidade, na nossa terra, e encontra uma humanidade doente, doente com febre, com aquela febre que são as ideologias, as idolatrias, o esquecimento de Deus. O Senhor dá-nos a sua mão, levanta-nos e cura-nos (…). Toma a nossa mão nos sacramentos, cura-nos da febre das nossas paixões e dos nossos pecados mediante a absolvição no sacramento da reconciliação. Dá-nos a capacidade de nos erguermos, de estarmos de pé diante de Deus e dos homens.” (Papa Bento XVI).

Peçamos à Virgem Mãe de Deus que nos auxilie na missão de levar a todos a força do Evangelho e que sua intercessão nos sustente na promoção do bem, da fraternidade e da verdade, como nos pede o gratuito amor de Deus.

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