A Prefeitura de João Pessoa publicou, nesta quinta-feira (11), novas regras para o acesso aos recintos de animais do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, a Bica, como parte de um conjunto de medidas para reforçar a segurança de servidores, visitantes e dos animais. As mudanças ocorrem após a morte do jovem Gerson de Melo Machado, de 19 anos, atacado por uma leoa no fim de novembro.
A Portaria nº 016/2025, assinada pelo secretário municipal de Meio Ambiente, Welison Araújo Silveira, estabelece protocolos mais rígidos para entrada em áreas consideradas de risco controlado. A norma restringe o acesso ao interior dos recintos exclusivamente a funcionários autorizados e a pessoas previamente liberadas pela Secretaria de Meio Ambiente ou pela diretoria técnica do parque.
Conforme o texto, visitantes, pesquisadores ou quaisquer outras pessoas que não façam parte da rotina de manejo precisarão apresentar requerimento formal e identificação antes de entrar nos recintos. A autorização dependerá da avaliação técnica e será concedida apenas quando houver necessidade comprovada. A portaria também obriga o uso de uniforme adequado e equipamentos de proteção individual, além de proibir o porte de celulares, câmeras ou dispositivos similares, salvo autorização expressa.
Reforço na segurança e novo sistema de monitoramento
O secretário Welison Silveira afirmou que cerca de 30 novas câmeras serão instaladas no parque, integradas ao sistema de inteligência artificial do programa João Pessoa SmartCity. Os equipamentos contarão com reconhecimento facial e detecção de atividades suspeitas, o que, segundo ele, deve ajudar a prevenir incidentes e facilitar o monitoramento diário.
A gestão também ampliará a presença de agentes ambientais e guardas municipais nas áreas próximas aos recintos, além de reforçar a sinalização com orientações e proibições. Silveira destacou que muitos visitantes ainda insistem em desrespeitar regras básicas, como não se aproximar das grades e não alimentar os animais. Por isso, as equipes passarão por treinamento específico em protocolos de segurança e atendimento ao público.
“A ideia é não apenas cumprir normas, mas ampliar as medidas de prevenção, reforçando cercamentos, grades e práticas educativas que evitem riscos. Estamos redobrando a atenção para garantir o bem-estar animal e a integridade dos visitantes e servidores”, afirmou o secretário.
Reabertura gradual e investigações em andamento
A Bica permanece fechada desde o ataque, e a prefeitura ainda não definiu uma data para reabertura. A expectativa é que o parque volte a funcionar nos próximos dias, de forma gradual, com limitação diária de visitantes e monitoramento reforçado.
As mudanças ocorrem enquanto avançam as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público da Paraíba (MPPB). A Polícia Civil já informou que, segundo perícias preliminares, não foram identificadas falhas estruturais no recinto da leoa, classificando o episódio como um fato atípico. Já o MPPB mantém dois procedimentos abertos: um para acompanhar as medidas adotadas pelo município após a morte do jovem e outro que apura possíveis irregularidades ambientais apontadas anteriormente pela Sudema.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de vídeos que mostram o momento em que Gerson de Melo Machado escala a estrutura lateral do recinto e entra no espaço da leoa. Familiares relataram que o jovem tinha diagnóstico de esquizofrenia e era fascinado por leões.
A prefeitura afirma que as novas medidas são essenciais para evitar novos acidentes e garantir um ambiente seguro tanto para o público quanto para os animais.