José Medeiros

José Medeiros Filho é Psicólogo, com especialização em Psicologia Organizacional e Clínica Comportamental Adolescente e Adulto. É Hipnoterapeuta com vários cursos internacionais. Atua como Psicólogo Clínico e Hipnoterapeuta em João Pessoa – PB e é atualmente Secretário da Sociedade Paraibana de Hipnose e Sofrologia


Por quê as pessoas fumam?

Alguns dirão “fumo porque me acalma ou relaxa”, mas certamente essa informação está equivocada. O que ocorre é que geralmente quando se entra na adolescência, os pais, sejam por falta de experiência ou por negligência, muitas vezes não conseguem propiciar a segurança que seus filhos precisam para se tornarem adultos bem resolvidos emocionalmente.

Ao observar grupos de amigos, o adolescente quer fazer parte e para poder se integrar, tende a repetir os mesmos hábitos que as pessoas que compõem esse grupo. Vai passar a ouvir as mesmas músicas, a dançar da mesma forma, falar as mesmas gírias e consumir o que eles consomem: cigarro, álcool, dietas alimentares, entre outros.

Uma das funções do subconsciente é nos proteger do perigo, e se ele concluir que o grupinho de fumantes é seguro, da próxima vez que algum membro lhe oferecer um cigarro, o indivíduo aceitará, pois isso o fará sentir-se parte do grupo, aumentando assim seu nível de segurança.

Dessa forma, conclui-se que, o fumar para se sentir calmo e relaxado é uma razão totalmente equivocada. Porém, a situação de fumar e se sentir relaxado tenderá a se repetir por muitas e muitas vezes. Temos, neste contexto, uma condição clássica de condicionamento operante: de um lado, há o estímulo ansiogênico ou uma preocupação diversa, e do outro, há a resposta positiva pelo fato de se sentir calmo a cada vez que esse processo ocorre, já que haverá um reforço confirmativo da parte do fumante em acreditar que ficará calmo e relaxado se fumar após um momento de estresse.

Essa situação se repetirá infinitamente até que você, dependente químico do tabaco, perceba e se conscientize que precisa e deve tomar o controle de sua própria vida, ao mesmo tempo em que não se deixa ser dominado por um corpo estranho capaz de alterar seu estado de humor.

Quem é capaz de vencer esse hábito?

Saiba que só a própria pessoa será capaz de vencer esse hábito não saudável (vício) que é o tabagismo. Não adianta procurar se tratar desse comportamento desadaptativo apenas para atender um pedido da esposa (o), filho, neto ou outro parente. Quando se percebe que o dependente químico do tabaco está buscando o tratamento para atender a um pedido e/ou desejo de algum dos seus familiares, esse tratamento provavelmente será um insucesso. Deve-se orientá-lo a voltar quando a decisão for unicamente dele.

Quando se trabalha com a hipnoterapia pode-se descobrir as verdadeiras causas, os porquês de alguém estar fumando. Com a hipnose, acessa-se as memórias de longo prazo que estão armazenadas, gravadas no subconsciente, ressignificando esses conteúdos, fornecendo assim um novo entendimento do que seja prazer e satisfação.

Havendo necessidade, recomenda-se uma orientação médica para que seja adotada também a Terapia da Reposição da Nicotina – TRN (adesivos), caso percebamos indício de Síndrome de Abstinência devido ao fato de o paciente, por decisão própria, ter feito a cessação imediata ou gradual do uso do tabaco (nicotina).

O cérebro possui áreas distintas para emoções diferentes, como a alegria e a tristeza. Talvez o indivíduo esteja há algum tempo alimentando um lugar vazio e sem nada dentro de si com esse hábito pouco saudável – que é fazer uso do tabaco – na busca de se esquivar de alguma emoção negativa que cause sofrimento psíquico e o aflija, preenchendo assim o buraco vazio que há em seu corpo/mente.

Como a felicidade e o bem-estar poderão ser restaurados?

Mas, afinal, o que é capaz de proporcionar o retorno da felicidade e assim restaurar o bem-estar pessoal? Não é dinheiro, saúde, bebida, cigarro (tabaco), nem tão pouco o chocolate que proporciona paz e felicidade, e sim a “ restauração do fluxo energético (flow)”, e o reencontro do “eu adulto” que sofre com os ecos de um momento traumático ou sensação de desproteção que seu “eu criança ou adolescente” passou.

É na ressignificação desse encontro que ocorre um novo entendimento que libertará o “eu adulto” das couraças instaladas, que impedem a energia vital de circular naturalmente pelo corpo, preenchendo assim o vazio que insistia em ficar aberto e disponível. A ideia é simples, porém só um profissional qualificado e habilidoso será capaz de conduzir esse reencontro com eficiência, e dessa forma a felicidade será atraída à sua vida e sua saúde física e mental será restaurada.

Que tal começar a pensar em mudar de atitude? Quantas mudanças poderão acontecer? Acredite, visualize e imagine um futuro melhor para si, faça apenas a sua parte saudavelmente, que o “Poder Superior”, o universo, o cosmo ou Deus – da forma que cada um o concebe – irá conspirar em seu favor, e seu subconsciente aceitará essa nova programação de forma positiva, e que faz sentido, para melhorar seu estilo e qualidade de vida, transformando essa nova programação em realidade.

Nesse processo de mudança de hábitos, a hipnose constitui-se como uma ótima ferramenta auxiliadora. Desde que se queira, permita e tenha atitude mental positiva, do tipo: “isso é bom e eu quero isso para mim”. Um profissional habilitado na área de hipnose pode, com a autorização do paciente, acessar seu subconsciente e a programação deste, a qual está lá há anos ou décadas, reprogramá-lo e instalar um novo hábito, dessa vez saudável, para que se tenha um estilo e qualidade de vida apropriada e ajustada.

Se a decisão é de tornar-se um não fumante, muito bem, foi dado o primeiro e mais importante passo em direção à liberdade. Lembre-se que a maior das caminhadas começou pelo primeiro passo, e isso corresponde a 51% do sucesso dessa sua nova empreitada, que é se tornar sereno e totalmente desintoxicado do tabaco e de todas as substâncias que compõem o cigarro. Já os outros 49% cabe aos hipnoterapeutas, psicólogos e médicos que usarão de conhecimento e habilidades para ajudá-lo.

É possível que haja recaída? Sim, claro. A recaída é o tendão de Aquiles de quem possui ou trata as dependências químicas – em especial o tabagismo –, porque ao longo do tempo o subconsciente esteve devidamente acomodado, de forma ociosa, com a certeza que estava fazendo o que era melhor e seguro para o indivíduo, na ótica dele, protegendo-o.

Muitas pessoas já fizeram algumas tentativas de se abster do uso do cigarro, prometendo a si mesmo “eu não fumarei mais e este será meu último cigarro”. Contudo, até que ponto isso foi verdade, quanto tempo resistiu à tentação do desejo de fumar um cigarro? Provavelmente resistiu-se alguns dias, semanas ou meses, mas no primeiro momento em que houve uma emoção forte, como um desapontamento ou frustração, a pessoa foi vencida e sucumbiu ao prazer de fumar. Talvez, tenha dito para si “será apenas um”, entretanto, isso é um ciclo, e como haverá um reforço de pensamentos, os cigarros se repetirão e o hábito será reinstalado.

Como a Hipnose atuará na busca da abstenção ao tabaco?

Com a hipnose, vamos conduzir o paciente à cena nuclear ou evento causador inicial, no qual a pessoa sentiu pela primeira vez a emoção e/ou sentimento negativo que o conduziu a fumar seu primeiro cigarro, evitando assim sensações como a rejeição, a falta de proteção, entre outras. Naquela época, a adoção do comportamento de fumar, possivelmente para se sentir aceito ou protegido, foi considerado o mais apropriado e bem-sucedido e claro, evitou que emoções negativas ocorressem novamente. Além disso, há chances de aquele adolescente já ter escutado algumas vezes as pessoas dizerem que fumar acalma.

Para o tratamento do tabagismo, faz-se o uso de diversas técnicas hipnóticas como: imaginação, visualização, imagética, regressão, progressão, entre outras. Como cada caso é único, inicialmente escuta-se a queixa, faz a anamnese e traça-se um programa de tratamento com protocolos talhados e compatíveis com as necessidades de cada um.

Lembrando que os profissionais são apenas os condutores do processo terapêutico e que o sucesso depende unicamente do paciente e de sua atitude mental positiva. Saiba que cada paciente é único e está neste mundo com um propósito: ser feliz e ter o controle de forma saudável das emoções.

Acredite, você é capaz e merecedor de ser feliz!

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