PF apreende gado e armas em fazenda de servidor da Caixa investigado por desviar dinheiro

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Uma propriedade rural do funcionário da Caixa Econômica Federal investigado por desviar recursos de contas vinculadas da Justiça do Trabalho da 13ª Região está entre os locais onde foram cumpridos, hoje, mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal, segundo informou o delegado Derly Brasileiro, chefe da Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros.

No local foram apreendidos armas e equipamentos rurais, como trator, e até animais, como gado. De acordo com a PF, em relação ao gado, o prioritário atual fica como fiel depositário para que não haja necessidade de retirar os animais do local agora, até decisão posterior.

Durante entrevista coletiva realizada na sede da PF, o delegado deu mais detalhes da investigação envolvendo o servidor, que está aposentado desde o ano passado.

O funcionário trabalhava como caixa executivo na agência da CEF do TRT e é suspeito de ter desviado valores que podem chegar a R$ 23 milhões (de 2018 a 2022).

O dinheiro era subtraído do que deveria ser destinado ao INSS e à Receita Federal.

As imagens da operação “Lesa Pátria” mostram relógios de luxo comprados pelo suspeito com o dinheiro surrupiado, que ele também investia em fazendas, gado e negócios de familiares, num processo de lavagem de dinheiro.

Segundo o delegado, todas as pessoas alvo das buscas e apreensões pela PF, hoje, estão relacionadas, ou são parentes ou são laranjas.

“Todas as pessoas alvo das buscas e apreensões pela PF, hoje, estão relacionadas, ou são parentes ou são laranjas. São pessoas que usavam de alguma forma ou eram beneficiadas com os valores desviados pelo investigado”, disse.

Sobre os bens apreendidos, eles eles os animais, o delegado disse que eles devem ir à leilão para ressarcimento aos cofres públicos.

O caso

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, 25, a “Operação Lesa- Caixa”, que visa reprimir desvios de recursos de contas vinculadas da Justiça do Trabalho da 13ª Região.

Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal da Paraíba nas cidades de João Pessoa, Cabedelo, Pombal, Cajazeiras e São Bentinho.

As investigações foram iniciadas em maio deste ano e tem como alvo principal servidor da Caixa Econômica Federal. Ele, aproveitando-se do acesso aos sistemas de movimentação bancária de contas judiciais trabalhistas, movimentou criminosamente valores para contas suas e de pessoas próximas, causando um prejuízo estimado aos cofres da CEF de quase 9 milhões de reais, podendo ao final da investigação o montante do prejuízo chegar a 23 milhões de reais.

O investigado poderá responder pelos crimes de peculato, inserção de dados falsos em sistema informatizado, associação criminosa e lavagem de ativos, condutas encontradas nos artigos 312, 313-A e 288 do Código Penal e art. 1º da Lei nº 9.613, cujas penas somadas chegam a 37 anos de reclusão e multa.

O nome “Operação Lesa-Caixa” está relacionado aos prejuízos financeiros causados à empresa pública federal pelo servidor.

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