Pedro Simon estaria atrapalhando a nomeação de Zé Maranhão


BRASÍLIA – Depois de escolher a palavra "resistir" como símbolo de uma hipotética conversa com a presidente Dilma Rousseff, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) pediu em discurso nesta quarta-feira que Dilma não ceda à chantagem de apoiadores em nome da governabilidade. O senador referia-se, principalmente, à pressão por nomeações de apadrinhados políticos no governo federal.
 
– Resista, presidente, a essa corrupção que invade, ao longo da história, o nosso país. Não aceite indicações que não tenham o lastro da ética. É preciso saber em nome de quem falam os interlocutores. Que interesses reais movem as suas indicações? O bem coletivo ou o interesse individual de pequenos grupos? – disse o senador, que citou, durante o pronunciamento, a briga pelas chefias dos fundos de pensão da Petrobras e do Banco do Brasil.
 
Destacando a importância da harmonia e independência entre os poderes, Pedro Simon alertou a presidente de que esta harmonia não pode ser alcançada por imposição. O senador a aconselhou a estender o critério da ficha limpa às nomeações em qualquer escalão do governo. Para ele, Dilma Rousseff não deve se curvar à chantagem e, sim, nomear profissionais cujos currículos sejam "construídos pela competência e pelo profissionalismo, moldados pela ética".
 
Como conselho à presidente, Simon explicou que existem dois remédios para curar a corrupção.
 
– O primeiro é preventivo: que os atos de nomeação sejam acompanhados pela chancela da probidade do nomeado. O segundo é corretivo: se as luzes do poder ofuscarem a ética do nomeado, que ele não continue se protegendo com o “remédio caseiro” da impunidade – disse o senador, para quem é necessário exonerar imediatamente os envolvidos em atos irregulares.
 
A postura da presidente, na avaliação do senador, pode ser o primeiro passo para uma mudança de conduta em todas as instâncias de poder do país.
 
– Bom será o dia em que o Congresso Nacional votará apenas e tão somente segundo as convicções dos parlamentares, segundo devem ser as aspirações de quem eles representam. Que o voto em Plenário não se constitua um instrumento de troca pela liberação de emenda ou pela indicação de apadrinhado. Seja a proposta legislativa aprovada ou rejeitada, que o seja porque as nossas consciências assim orientam e não porque se construiu maiorias a poder de promessas nem sempre lastreadas pela boa conduta. Quem sabe esta postura seja então o início de uma reforma política, ou pelo menos, de uma reforma das condutas políticas – afirmou.
 
Em aparte, os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Cristovam Buarque (PDT-DF) elogiaram o discurso de Simon e desejaram que a presidente Dilma pudesse ouvir suas palavras. Pedro Simon encerrou o pronunciamento com o pedido para que a liderança do governo na Casa encaminhasse seu discurso ao Palácio do Planalto.
 
 
Globo

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