Marco Lima

Marco Lima tem graduação em Educação Artística, com habilitação em Música, Especialista em Educação Infantil e Mestre em Serviço Social (UFPB), tendo como área de Pesquisa a Educação Inclusiva de Pessoas com Deficiência Visual. Atua como Professor de Música no Instituto dos Cegos da Paraíba Adalgisa Cunha. Presidente da Federação Espírita Paraibana, foi co-fundador do Grupo Acorde.


O Medo do Sobrenatural

Era um final de tarde, em um Shopping Center de João Pessoa, encontrei-me com uma amiga jornalista. Fazia algum tempo que não nos encontrávamos. Num bate papo informal, ao sabor de um cafezinho, estabelecemos uma conversa sobre a questão do medo do sobrenatural. Sabendo que sou espírita, ela propôs-me algumas perguntas, sobre o referido tema, que procurei responder-lhe à luz da Doutrina Espírita.

Dessa conversa, formatamos este artigo.

Como sua religião aborda a questão do medo do que não se pode ver?

O medo do desconhecido é algo natural. Aquilo que ignoramos causa-nos apreensões justificadas. No entanto, à medida que começamos a entender e compreender o desconhecido, buscando elucidar os mecanismos e as leis que regem certos fenômenos, tidos como sobrenaturais, vencemos o medo. A existência dos Espíritos, do mundo invisível e suas relações com mundo corporal é o objeto de estudo da Doutrina Espírita. O desvelar gradativo dos mistérios que envolvem esses fenômenos, que são naturais, permite-nos estabelecer uma relação com essa realidade transcendental da vida, de modo mais sereno e compreensivo. O Espiritismo trata tais fenômenos com naturalidade e lucidez. Na carta de Paulo aos Hebreus, no capítulo 11.1 – destacamos: “Fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se vêem”. Relacionamos essa passagem à fé racionada, a qual se refere Allan Kardec, no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Existe alguma explicação dentro dela (Doutrina Espírita) sobre medo de espíritos, fantasmas ou algo relacionado?

Atribuímos ao fato dessas questões, relacionadas a Espíritos e ao mundo espiritual, serem tratadas no âmbito do sobrenatural, o que permitiu fantasiosas concepções e conceitos errôneos sobre os mesmos. Daí, com uma observação mais racional, através do estudo de obras idôneas da Literatura Espírita, a exemplo, de O Livro dos Espíritos, O livro dos Médiuns, A Coleção de André Luis, sobre a vida no mundo espiritual, entre outras, transformarão o medo, desmistificando todas as teorias sem nexo.

Do fato de ignorarmos as causas e também das fantasiosas concepções que são introduzidas na educação, que desde cedo são transmitidas para as crianças. Mudemos essas concepções equivocadas, e teremos seres humanos mais saudáveis e integrados com o sentido da vida imortal.

Saberias dizer a partir de que começamos a temer o “outro mundo”?
Podemos localizar na infância, uma vez que, nesta fase, as idéias supersticiosas que vão sendo introduzidas, no universo das crianças, se cristalizam e seguem no percurso do desenvolvimento humano.

Como surgiu a Doutrina Espírita?

A Doutrina Espírita surgiu através da investigação de fenômenos, tidos na época, como sobrenaturais, que vertiam abundantemente na Europa e em outros países no século XIX. Teve no Professor e Cientista, Hippolyte Léon Denizard Rivail, cognominado Allan Kardec, como ícone na estruturação das bases filosóficas, científicas e religiosas do Espiritismo, contribuindo intensamente na compreensão do ser humano, enquanto Espírito imortal, propondo-lhe uma cosmovisão em torno da vida, sua origem e destino, ao cultivo dos valores morais, objetivando sua evolução, através das asas do amor e da sabedoria, conforme orientou o Cristo.

Após a nossa conversa filosófica e jornalística , nos despedimos, marcando para outra oportunidade tratar de outro assunto relevante, a Morte.

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