O Globo: PF chegou a pedir prisão de Vitalzinho e Dilma, mas STF negou

Brasília – A Polícia Federal pediu a prisão da ex-presidente Dilma Rousseff , do ex-ministro Guido Mantega , do ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB-CE), do ministro do Tribunal de Contas da União, Vital do Regô, e mais outras seis pessoas suspeitas de envolvimento na suposta compra de apoio político à aliança entre o PT e o PMDB nas eleições presidenciais de 2014. O pedido teve parecer contrário da Procuradoria-Geral da República e foi rejeitado pelo ministro Edson Fachin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Fachin determinou no, entanto, a intimação da ex-presidente Dilma e de outros investigados. Um delegado foi até a residência de Dilma em Porto Alegre e entregou a intimação

A Polícia Federal também planejava pedir a prisão dos senadores do PMDB Renan Calheiros (AL), Eduardo Braga (AM) e Jader Barbalho (PA). O delegado Bernardo Vidalli Amaral, que está à frente do inquérito, escreveu que só não pediu a prisão dos senadores porque a Constituição “veda, em regra, prisão cautelar de parlamentares no exercício do mandato”.

Procurada pelo GLOBO, a ex-presidente confirmou, por intermédio de sua assessoria, a intimação. Mas não quis dar declarações porque não conhece o conteúdo das acusações em apuração pela polícia.

A Polícia Federal investiga supostos repasses de aproximadamente R$ 40 milhões para senadores e ex-senadores do PMDB durante a campanha de 2014. O dinheiro seria uma forma de consolidar o compromisso do grupo com a campanha que levou à reeleição da ex-presidente.

Pelas investigações, Calheiros seria o chefe do grupo no Senado e, pela importância da função, teria sido o destinatário de R$ 4 milhões. A polícia sustenta ainda que coube Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, pedir dinheiro a Wesley Batista para viabilizar os pagamentos ao PMDB. A PF informa ainda que, no curso das tratativas, o empresário se reuniu com Dilma no Palácio do Planalto e, durante a conversa, explicou como seria feita a partilha do dinheiro entre os políticos aliados.

As investigações tiveram origem na delação de executivos da J&F, controladora da JBS . Pedidos de busca foram feitos pela Procuradoria-Geral da República e autorizados por Fachin.

Ação da PF

Nesta terça-feira, a PF realizou busca e apreensão em endereços de empresários e supostos laranjas de ligados a pelo menos seis senadores e ex-senadores do MDB suspeitos de receberem propina da JBS. Entre os alvos da investigação estão o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e os senadores Jader Barbalho (PA) e Eduardo Braga (AM).

Os senadores e ex-senadores foram alvos de intimação. Renan Calheiros deveria depor ainda nesta terça-feira. Mas como está em Alagoas pediu, por intermédio do advogado, para prestar esclarecimentos em outra data ainda não definida.

— O senador nunca se negou a colaborar com qualquer investigação. Ele está a disposição da Justiça. Só não confirmamos o depoimento para hoje porque ele não está em Brasília — disse o advogado Luis Henrique Machado. O advogado reafirmou, em nota, que o senador não é alvo de mandados de busca.

Também através de nota, os advogados de Eduardo Braga reiteraram que o senador está à disposição para colaborar com as investigações.

Confira a íntegra da nota emitida pela assessoria de Dilma Rousseff:

“NOTA À IMPRENSA

É estarrecedora a notícia de que a Polícia Federal pediu a prisão da ex-presidenta Dilma Rousseff num processo no qual ela não é investigada e nunca foi chamada a prestar qualquer esclarecimento.

A ex-presidenta sempre colaborou com investigações e jamais se negou a prestar testemunho perante a Justiça Federal, nos casos em que foi instada a se manifestar.

Hoje, 5 de novembro, ela foi convidada a prestar esclarecimentos à Justiça, recebendo a notificação das mãos civilizadas e educadas de um delegado federal. No final da tarde, soube pela imprensa do pedido de prisão.

O pedido de prisão é um absurdo diante do fato de não ser ela mesma investigada no inquérito em questão. E autoriza suposições várias, entre elas que se trata de uma oportuna cortina de fumaça. E também revela o esforço inconsequente do ministro da Justiça, Sérgio Moro no afã de perseguir adversários políticos. Sobretudo, torna visível e palpável o abuso de autoridade.

Ainda bem que prevaleceu o bom senso e a responsabilidade do ministro responsável pelo caso no STF, assim como do próprio Ministério Público Federal.

Assessoria de Imprensa
Dilma Rousseff”

 

 

com O Globo

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