“Não me sinto culpado por nada”, diz Sarney a TV

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse na noite de ontem ao canal de TV GloboNews ter se arrependido de buscar o comando do Senado e que não se sente culpado por nenhuma das acusações das quais foi absolvido pelo Conselho de Ética da Casa.

"Eu nunca fui presidente do Senado por minha vontade, sempre por convocação. E desta vez eu não queria de maneira nenhuma", afirmou.

Ao reafirmar que não irá deixar o cargo, justificou dizendo que "não me deram nenhuma saída se não fosse a de cumprir meu dever até o fim".

Questionado sobre a continuidade das denúncias, respondeu: "Não existe pressão porque não me sinto culpado de nada, eu estou procurando é servir ao país, estou procurando servir esta Casa, estou pagando por isso". Fez uma ressalva: só deixa o cargo se o plenário o destituir.

Arquivamento

Por 9 votos a 6, o Conselho de Ética do Senado rejeitou na última quarta-feira os 11 recursos da oposição contra o arquivamento sumário de denúncias e representações contra Sarney (PMDB-AP).

O PSDB, autor da maioria das denúncias e representações contra Sarney, esperava que os três senadores do PT que integram o conselho votassem em favor da abertura dos processos contra Sarney. No entanto, orientados pela direção do PT, os petistas que integram o Conselho de Ética –João Pedro (AM), Ideli Salvatti (SC) e Delcídio Amaral (MS)– votaram pelo arquivamento.

A decisão dos petistas de apoiar Sarney causou um racha no partido, dividido entre a intenção de levar adiante as denúncias e os interesses eleitorais em 2010 –o PMDB é cortejado pelo PT para uma aliança nas eleições presidenciais, e o cerco a Sarney abalaria esse acordo.

Devido à votação, o líder do PT no Senado, Aloízio Mercadante (SP) decidiu deixar a liderança. Porém, ontem anunciou que reviu sua decisão após conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Folha Online

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