Músicos da banda de Cássia Eller juntam-se à cantora Val Donato e preparam homenagem

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Dezoito anos após a sua partida precoce, Cássia Eller será reverenciada por um trio de peso: os músicos Walter Villaça e Fernando Nunes, que fizeram parte da sua banda, e a cantora e compositora Val Donato – que não a conheceu, mas em quem os músicos confiaram a missão de ser a voz desse projeto. O grupo prepara uma turnê que começará pela capital paraibana, João Pessoa, e percorrerá outras cidades nordestinas, a partir do mês de abril. Depois, será a vez de ganhar o Brasil.

Os planos para essa homenagem começaram a ser tramados no ano passado, quando Val se sentiu segura para interpretar as músicas que fizeram sucesso na voz de Cássia sem que, com isso, tivesse o esse trabalho confundido com o de um cover. “Hoje, eu tenho um trabalho autoral bem desenvolvido, estou gravando o segundo disco, então as pessoas já entendem que tenho referências dela, sim, mas não faço uma imitação. No início da minha carreira, as pessoas me relacionavam muito a Cássia, até por não haver muitas cantoras no estilo dela”, conta. Foi então que nasceu, na cantora paraibana, a vontade de homenagear a cantora carioca. Inicialmente, seria um projeto como outros que ela já tinha realizado com sua banda, como os tributos para Chico Science e Bob Marley. Mas aconteceu de ela se encontrar com o guitarrista Walter Villaça e, devido à amizade e à confiança que tem nele, pedir a sua opinião sobre a ideia – e então o plano inicial começou a ganhar outros caminhos.

O projeto – Walter tanto achou a ideia ótima quanto se dispôs a fazer uma participação em alguns shows. Primeira boa surpresa para Val. Daí, em janeiro passado, foi a vez de Fernando Nunes entrar no páreo.

Depois de participar de algumas apresentações que ele fez em João Pessoa, e com a aproximação proporcionada por esses encontros (eles se conheciam apenas superficialmente), Val comentou sobre a ideia do show. “Ele adorou e foi mais longe: e se a gente fizesse esse show com a banda que tocava com ela?”, lembra Val. Outra surpresa. Fernando voltou para São Paulo com essa ideia na cabeça e, logo que pôde, entrou em contato com Walter, que topou na hora. Convidaram o baterista da banda de Fernando, Igor Galindo, e formaram o grupo. A partir de então, começaram a checar possibilidades e agendas – e agora se preparam para estrear a turnê.

Os músicos – Músico profissional há 25 anos, Walter Villaça tocou com Cássia Eller de 1996 até a sua morte (e também em discos póstumos). Hoje, toca com Nando Reis e tem também um trabalho autoral instrumental, o Walter Villaça e os Cablocos. Além de guitarrista, é produtor musical e violonista. Ligado à música desde a infância, já tocou com artistas consagrados da música brasileira e internacional, como Gilberto Gil, Gal Gosta, Milton Nascimento, Zélia Duncan, Gabriel O Pensador, Frejat, Ivan Lins, Rita Lee, Glória Gaynor e Jr. Marvin (The Wailers), entre outros. “Com o ‘Nós, Voz, Eller’, queremos elevar o nome da Cássia, uma das maiores cantoras do país, uma figura ímpar. Tive o privilégio de conviver com ela nos palcos e fora deles. Simples, inteligente, humana, com uma cultura musical robusta. Ela ficaria muito feliz com esse projeto”, acredita. Para ele, a música brasileira está carente de uma voz poderosa, que canta de samba a rock. E por isso a presença de Val será fundamental para o projeto. “Val tem um furacão na voz, é bem a onda de Cássia”, diz ele.

O alagoano Fernando Nunes também está na estrada desde as primeiras décadas de vida: começou a tocar aos 12 anos e atua profissionalmente desde os 15. Em quase 40 anos de carreira, ele morou em Salvador, onde tocou e gravou com diversos artistas do cenário baiano, e depois no Rio de Janeiro, onde se integrou à banda de Ivan Lins, em turnê pela Europa e Estados Unidos. Em 1994, entrou na banda de Cássia Eller – e lá permaneceu até o disco póstumo “Dez de dezembro” (2002).

“Eu trato tudo o que tem o nome Cássia Eller como algo muito pessoal, quase como uma missão de perpetuar o legado dela, preservando a qualidade e mantendo a atmosfera de alegria e amor à música que ela tinha, em sua essência”, diz o baixista. Para ele, o show não poderia ser encabeçado por outra pessoa, senão Val Donato. “Entrei nesse projeto porque, além da qualidade de Val como cantora, sei da sua seriedade em relação a Cássia”, diz. “Tudo terá regado a emoção e boas lembranças. Que cada show seja um presente para os fãs, os curiosos e também para nós, que sentimos muita falta dela.”

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