Ministro relembra ‘meiota’ e diz que universidade tem analfabetos funcionais

Em visita hoje à tarde à Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde ministrou a aula magna do semestre letivo 2021.1, o Ministro da Educação, Professor Doutor Milton Ribeiro foi recepcionado pelo reitor Valdiney Gouveia e pelo prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, e fez algumas declarações polêmicas. Já no início, ele lembrou que já conhecia a capital da Paraíba, onde aprendeu o que significa “meiota” (metade de uma garrafa de cachaça). “Além de ministro, sou também pastor. E eu não sabia o que era meiota e o pessoal me pediu para pagar uma para os pescadores. E eu paguei”.

Milton é pastor presbiteriano, teólogo, advogado e professor brasileiro e contou sobre o convite para integrar o Conselho de Ética do Ministério da Educação. Ele sucedeu Carlos Decotelli, que se demitiu antes de tomar posse. “Não sou uma celebridade. E como estudei sempre em escola pública, decidi aceitar o desafio de ser ministro para dar uma contribuição ao meu país mesmo que seja perdendo dinheiro. Político que fica rico com política, é corrupto porque o salário é pequeno. Então, estou muito tranquilo na posição que estou”.

Ribeiro ainda afirmou ter acionado 355 prefeituras espalhadas pelo País para prestar esclarecimentos ao Tribunal de Contas da União (TCU) por falta de informações no uso das verbas do MEC. “O Brasil não aguentava mais os desvios que aconteciam nos cofres públicos. Podem acusar o presidente da República do que for, menos de corrupto. É por isso que nenhum dos ministros será investigado por desvio de dinheiro público e eu ordeno por dia R$ 480 milhões”.

Susto – O ministro disse ter ficado surpreso e “tomado um grande susto” ao assumir o cargo porque não sabia que iria administrar 69 universidades federais com 281 campi e 1,3 milhão de alunos, mais 41 instituições de educação profissional e tecnológica em 669 campi, além de 50 hospitais, sendo 40 da EBSERH.

Crianças analfabetas – Ribeiro mencionou que no Brasil há crianças de 9 anos que não sabem ler e escrever, mas sabem usar uma camisinha. “Estava na hora de dar um basta nisso e é por isso que esse pessoal do contra me levou ao Tribunal de Contas da União porque eu retirei do edital do livro didático as questões de gênero para crianças de 6 a 10 anos. Onde já se viu? Não temos o direito de violar a inocência de uma criança nessa idade trazendo questões dizendo que se você quiser ser homem, será homem e se quiser ser mulher, será mulher. Não pode ser assim. Neste ponto, eu sou radical. Acho que existe idade para tudo e o TCU por unanimidade me apoiou e disse que não era o momento de discutir esse tema com essas crianças”.

Diploma digital – Em sua exposição, o ministro destacou o lançamento do Diploma Digital, uma ferramenta que coibe a falsificação de certificados. É um documento com existência, emissão e armazenamento integralmente digitais. Ao investir em mais essa inovação tecnológica, o Ministério da Educação promove a modernização de documentações acadêmicas, aliada às exigências da legislação educacional, e ainda evita fraudes ao reforçar a segurança para registro e emissão de diplomas digitais.

Esquerda – Ao final de sua explanação, Milton Ribeiro falou sobre a presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), a quarta mulher a exercer o cargo. “Ela não tem nada a ver com a esquerda. Embora eu respeite as opiniões ideológicas de todos, mas ela não é de esquerda e nem de pautas progressistas no sentido de família como alguns têm dito por aí e é uma mulher que vai causar surpresas positivas. É só esperar para ver”, disse, a respeito de Cláudia Queda de Toledo.

A presidente da Capes recebeu críticas por fragilidades de seu currículo, que apontam que ela não teria o perfil para assumir o órgão que regula e fomenta a pós-graduação no país. Por outro lado, parte da produção acadêmica dela foi apontada como de esquerda. Em um artigo de 2018, mesmo ano da eleição de Bolsonaro, ela escreveu que o desrespeito ao outro permite “o renascimento de regimes totalitários, capitaneados por novos (pseudos) messias”. O trecho não passou despercebido por grupos de direita no entorno do governo, que interpretaram crítica velada ao presidente, que tem Messias em seu nome. Citações ao educador Paulo Freire, frequentemente criticado pelo presidente e apoiadores, e outro artigo sobre direitos humanos e diversidade sexual também têm chamado a atenção.

Analfabetos funcionais – Concluindo suas declarações, Milton disse que o ministério é uma luta muito grande. “Tem três dias da semana que só recebo deputados e senadores. É um lugar bem delicado, mas quero cumprir minha missão para olhar com carinho para a educação das crianças e lançar bases firmes e fortes para a alfabetização de nossos filhos. Eu cursei a escola pública e só passava de ano se soubesse o conteúdo. Agora é uma bagunça. As crianças analfabetas. E quando muito, os senhores aqui na universidade, os senhores recebem analfabetos funcionais que leem mas não sabem o que estão lendo. Precisamos mudar a história desse país e fica aqui o meu compromisso de melhorar a educação lá na base. Os governos anteriores construíram telhados, mas eu quero fazer os alicerces”.

 

Foto: Oriel Farias (UFPB)

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1 comentário

  • LUIS EVANDRO SANTOS DE SA
    19:09

    Um ministro que serve a um governo que é presidido por Bolsonaro, que não consegue escrever uma frase com duas palavras tem a coragem de falar em estudantes que supostamente seriam analfabetos funcionais não faz o menor sentido. Milton Ribeiro deveria se preocupar em ensinar Bolsonaro a ler e escrever. Depois tentar ver se ele consegue caminhar e mascar chiclete ao mesmo tempo. Por enquanto, os dois governantes só conseguem é se responsabilizar pelas 400 mil mortes que assolam o país durante a pandemia. Fora evangélicos fundamentalistas!

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