Max Lopes, que morreu neste domingo, levou paraibanos ao sambódromo no desfile da Grande Rio em 99

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O carnavalesco Max Lopes, de 74 anos, morreu neste domingo, em Maricá, vítima de câncer. Ele era conhecido como o mago das cores, foi campeão do carnaval do Rio de Janeiro por Mangueira (Yes, Nós Temos Braguinha, em 1984), Imperatriz Leopoldinense (Liberdade! Liberdade! Abra as Asas sobre Nós, em 1989) e novamente pela Mangueira (“Brasil com “Z” é pra cabra da peste, Brasil com “S” é nação do Nordeste”, em 2002). Max também foi responsável por um enredo que levou à avenida a história do pioneiro da televisão brasileira, o paraibano Assis Chateaubriand, homenageado pela Acadêmicos do Grande Rio.

Naquele ano, uma comitiva de paraibanos foi ao Rio de Janeiro para o desfile. A articulação para que o samba enredo da Grande Rio destacasse Chatô e a Paraíba foi feita pelo então secretário de Comunicação da Paraíba, Giovanni Meireles. “Estive com ele pessoalmente aqui na Paraíba e também no Rio, quando eu ocupava o cargo de titular da Secom Estadual”, lembrou ele.

Em um carro alegórico, estava a Miss Paraíba Madeleine Braga. Desfilaram também na Marquês de Sapucaí com camisas da Diretoria ou prestigiaram o camarote no sambódromo “Ala Chico Recarey” as seguintes personalidades: José Maranhão, Ney Suassuna, Roberto Paulino, Damião e Lígia Feliciano, Inaldo Leitão, Ruth Avelino, Mestre Fuba, Alexandre Joubert e outras figuras importantes do colunismo social de João Pessoa.

Quem também lembrou de Max com saudade foi o empresário Ronaldo Cunha Lima Filho, que traz em suas memórias outro momento anterior àquele da Grande Rio e de Chatô. “Foi em 1984 que eu conheci Max Lopes. Há 11 anos a Mangueira não vencia um carnaval e naquele ano se daria a inauguração do sambódromo da Marquês de Sapucaí. A expectativa era enorme! O enredo escolhido pela verde e rosa parecia não indicar favoritismo: ‘Yes, Nós Temos Braguinha’. Pois, contrariando as expectativas, sob a regência criativa do genial Max Lopes, a Mangueira sagrou-se campeã, e eu estava lá, na bateria da Estação Primeira de Mangueira, de tamborim na não, fantasiado, emocionado”.

E o relato de Ronaldinho continua: “Nos minutos que antecederam o desfile, a bateria (composta por algo em torno de 300 ritmistas), encaixada no 1º recuo da avenida, deu início ao aquecimento. Antes, porém, uma fala motivacional foi proferida e fez-se uma comovente homenagem ao Mestre Waldomiro, (1901-1983) o mais influente presidente de bateria que a Mangueira já teve. Nesse instante tive que fazer um grande esforço pra barrar às lágrimas que desciam do meu rosto como uma inundação. Imagine você, 300 homens ( naquele tempo não era permitido mulher desfilar na bateria), descendo a mão nos seus instrumentos ( caixas, surdos, repiniques, tamborins, cuícas, agogôs, chocalhos, pandeiros e reco-recos), foi uma sensação impossível de explicar. Quando o desfile começa e o cronômetro é disparado, você tá ali pra dar a própria vida pela escola. Não estou exagerando Como numa manifestação divina, seu corpo se transforma num instrumento de percussão a ecoar, com um vigor inimaginável, o samba enredo cantado pelos 4 mil participantes da escola e pelo público presente na avenida. Nesse dia a Mangueira foi a última escola a desfilar. Já era dia claro. Quando chegamos ao final, na praça da apoteose, depois de um desfile épico, a prefeitura mandou abrir os portões e o público tomou conta da avenida. 1984, era a inauguração do Sambódromo. Foi aí que a bateria ( e eu estava lá) começou a tocar de novo e deu início a um novo desfile, só que dessa vez em sentido contrário, arrastando a multidão que vinha atrás. Foi ali que vivi uma dos mais marcantes momentos da minha vida. Não havia classe social, idade ou gênero. Havia gente! Nesse ano a Mangueira sagrou-se campeã. O ano que eu conheci o genial Max Lopes, que conheci Jamelão, que conheci Alvinho, Elmo, D. Zica, Ivo Meirelles, Chimbico e tantas outras personalidades incríveis. Foi quando conheci o Buraco Quente e a Olaria e a deliciosa sopa do 12. Foi ali que me tornei um ser humano melhor. Foi quando conheci o meu irmão Melô, com quem ainda hoje compartilho todas as emoções intensamente vividas no poético, único e encantador morro da Mangueira”.

A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), a Mangueira e a Imperatriz Leopoldinense publicaram nota nas redes sociais lamentando a morte de Max Lopes.

O carnavalesco também teve passagens por Vila Isabel, Viradouro, onde foi campeão do grupo de acesso em 1990 (“Só vale o escrito”), Santa Cruz e Unidos de Lucas, entre outras agremiações.

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