A pedido da delegada Karina Torres, da Polícia Civil, a Justiça decretou hoje o bloqueio das contas do engenheiro Samuel Rodrigues Cunha Segundo, ex-coordenador de Tecnologia da Informação do Hospital Padre Zé, em João Pessoa. Ele é o principal suspeito de ter furtado telefones celulares e smartwatches que estavam na sala do Padre Egídio de Carvalho Neto, ex-diretor da instituição, e que seriam vendidos em um bazar para arrecadar fundos para a casa de saúde. Além do bloqueio, ainda foi autorizada a quebra de sigilo bancário das contas do ex-funcionário.
No pedido encaminhado à Justiça a delegada afirma que “restou evidenciado, com fulcro na investigação, que SAMUEL SEGUNDO incorreu no delito de furto qualificado, causando o prejuízo de R$ 525.877,77 (quinhentos e vinte e cinco mil, oitocentos e setenta e sete reais e setenta e sete centavos), referente aos produtos furtados no interior do Hospital Padre Zé.” Os itens haviam sido doados pela Receita Federal para que fossem vendidos e o dinheiro arrecadado seria usado na manutenção da instituição.
Samuel fez uma oferta de delação premiada ao Ministério Público da Paraíba na qual ele admitia ter cometido um crime, mas alegava que poderia fornecer informações valiosas sobre outros envolvidos. O MP, contudo, rejeitou o pedido alegando ter recebido através de uma denúncia anônima muitas informações sobre possíveis irregularidades cometidas no hospital e que o depoimento de Samuel não poderia acrescentar dados aos que já foram obtidos.
Padre Egídio, ex-diretor do Hospital Padre Zé, renunciou ao cargo e à condição de pároco e tem se mantido em silêncio desde o dia 18 de setembro. No dia 27 de setembro, a Arquidiocese da Paraíba afastou o religioso de todas as atividades eclesiásticas.
A denúncia anônima enviada ao MP acusa Padre Egídio de desvios de recursos públicos através do hospital, que é mantido com doações da população e verbas públicas.