Julian se diz envergonhado por Bolsonaro pedir sua expulsão: “Ele se apequena”

Apesar da visita do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga à Paraíba nesta sexta-feira, 16, o deputado federal Julian Lemos (PSL) não estará na comitiva. O parlamentar disse que tem outros compromissos em sua base e também deixou de lado o discurso de apoio ao presidente da República. Ao comentar a informação dada pela coluna Maquiavel da Revista Veja, segundo a qual a ida do presidente para o PSL foi abortada porque Luciano Bivar, presidente da sigla, se negou a atender o pedido de expulsão de Lemos.

“Eu já sabia que existia uma tentativa de aproximação do presidente e quero deixar claro que nunca fui a favor de que Bolsonaro saisse do PSL. Inclusive, eu entrei no PSL antes de Bolsonaro e a negociação para ele ingressar foi feita entre eu e Bivar que se tornou um grande amigo meu e esteve duas vezes nos últimos 60 dias aqui na Paraíba. Sou correto com ele e com o partido e também sou com Bolsonaro. Não posso mudar meu posicionamento e ser oposição a ele. Mas, Bolsonaro saiu do PSL, viu a besteira que fez e agora quer retornar, mas com um espírito diferente do que ele entrou. Mas, ele não tem nada contra mim. Desafio a mostrar qualquer ato meu contra o governo dele. Mas, ele quer voltar para o partido com o espírito de desagregação e Luciano Bivar, que é quem tem autonomia total disso e é um lorde, declara que o partido é orgânico e não propriedade de uma pessoa. Bivar não estimulou a caça às bruxas e isso vem do amparo que ele tem dos parlamentares. Bolsonaro não tem autonomia no PSL para expulsar quem ele quer. Ele se apequena quando pede isso. O presidente da República, o homem mais poderoso do Brasil, está preocupado com Julian Lemos, deputado federal da Paraíba. Isso me constrange e me envergonha. Esse homem dormiu na minha cama e eu paguei custas processuais para ele. Todo mundo sabe que eu ajudei esse homem a ser presidente. Essa narrativa de traição eu passo para eles. Faz vergonha uma atitude dessas de Bolsonaro”, disse o deputado ao programa Arapuan Verdade.

Segundo a Veja, Bolsonaro está conversando com uma penca de legendas, entre elas Patriotas, PP, PTB e os miúdos DC e PMB, além do PSL, que havia despontado como favorito nos últimos tempos. A todos, ele faz a mesma exigência para se filiar: assumir o controle total da sigla, o que dificulta substancialmente um acordo.

No caso do PSL, Bolsonaro também impôs como condição a expulsão de vários desafetos, como os deputados Joice Hasselmann (SP), Junior Bozzella (SP) e Julian Lemos (PB), que era um dos seus aliados mais próximos durante a campanha presidencial. O descarte de Lemos, porém, não foi aceito pela cúpula do PSL, comandado por Luciano Bivar e Antonio Rueda. Diante do impasse, as conversas esfriaram.

O imbróglio foi relatado pelo próprio Bolsonaro a Roberto Jefferson, presidente do PTB, com quem se reuniu na terça, 13. Jefferson se encontrou com o presidente para, mais uma vez, tentar convencê-lo a se tornar seu correligionário. Mas, desta vez, não só isso. Ele queria a bênção de Bolsonaro para tentar atrair à legenda os ministros Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e Gilson Machado (Turismo).

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