Judeus expõem na Câmara de Campina Grande

A comunidade judaica em Campina Grande, em parceria com a Coordenação de Projetos do Departamento Anussim da Shavei Israel, vai expor na Câmara Municipal campinense e no Sesc Centro 28 quadros que tratam do tema Cripto-judeus (descendentes de judeus que foram obrigados a abjurar sua fé e tornarem-se cristãos) no Brasil, Portugal e Espanha, durante o século XVI. A abertura do evento será no Espaço Cultural da Casa de Félix Araújo, na Câmara Municipal, às 19h30 da próxima quarta-feira. Posteriormente, a exposição será levada ao Sesc onde permanecera durante o mês de julho.

A Exposição Cripto-judeu está sendo coordenada, em Campina Grande , pela Associação Para Assuntos Judaicos Magen David (Escudo de Davi). O evento contará com a participação de David Salgado, coordenador de Projetos do Departamento de Anussim. Os painéis, medindo um metro por 75 centímetros , cada, relatam a triste história do judaísmo no Brasil, no século XVI, e na Península Ibérica, no ano de 1497. Os quadros expõem ainda os costumes dos Bnei-Anussim na clandestinidade, a situação atual e o fenômeno que o envolveu no Nordeste do País, no tempo da Inquisição. 

A exposição se encontra na cidade de Recife (PE), onde existe uma comunidade judaica desde a época da Inquisição, a partir dos anos de 1700, devendo chegar a Campina Grande até o próximo dia 30. É sabido que os sertanistas judeus que conquistaram Campina Grande e o Estado, através da Ribeira do Paraíba, vieram da Bahia, Ribeira do São Francisco e da divisa entre Sergipe e Alagoas, mas que faziam parte do mesmo clã dos municípios de Recife e Olinda, o qual é retratado nos painéis. 

Informada da história dos judeus no Nordeste brasileiro, a Shavei Israel, uma instituição israelita no Brasil com o objetivo de retornar os descendentes de marranos (judeus convertidos ao cristianismo) – também chamados de anussim, cripto-judeus, conversos e cristão-novos – está levando a exposição a todas as localidades nordestinas onde existam praticantes e simpatizantes do judaísmo. O fato de Campina Grande e a Paraíba serem redutos de judeus, como relata a escritora judia, Anita Novinski, foi o motivo que levou a instituição a expor as telas na cidade campinense, segundo garante o coordenador David Salgado.

Salgado tem o conhecimento de que o Estado da Paraíba teve sua origem e desenvolvimento a partir do porto de Cabedelo e Várzeas do Rio Paraíba, través dos marranos. Ele entende que esses colonizadores e desbravadores foram os responsáveis pelos grandes engenhos de açúcar instalados no Litoral, a exemplo do Tibiri em 1964, fundado pelo marrano Diogo Nunes, que originou o nome de um dos bairros de Santa Rita. O trabalho com engenhos dos judeus se estendeu não só pela região de Campina Grande, mas pelo Sertão e Cariri, bem como pelas fazendas de gado que deram início às cidades de Boqueirão, Cabaceiras e São João do Cariri. 

Por este motivo e também pelo fato de Campina Grande está localizada num entroncamento de cidades e contar atualmente com a promoção de uma grande festa (O Maior São João do Mundo), com o atrativo de turistas de várias regiões, Salgado entende que a exposição sera bem visitada. Também será exposto, na ocasião do evento, um livro intitulado: Criptojudeu – A Chama que a Inquisição nunca conseguiu apagar.  A obra conta a historia dos painéis pelo Brasil, por cada cidade que passaram e também relata a saga dos judeus Sefaraditas (dispersos pela Espanha e Portugal e Brasil).

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