Embolou o meio de campo

O saudoso dr. Ulysses Guimarães vivia repetindo que política era como as nuvens, a cada momento mudam de posição. Experiente, o “velhinho” sabia que em política não há amigos ou inimigos, apenas aliados e adversários. Aquele que ontem era adversário pode tornar-se aliado de primeira hora. A história da política paraibana confirma a tese. E não só a paraibana, no Brasil, gostemos ou não, para se entender o jogo político é preciso um olhar antes pragmático que essencialmente ideológico ou programático.

Desde Nicolau Maquiavel, a política perdeu a aura clássica, platônica e aristotélica. Os filósofos gregos refletiam sobre princípios morais e éticos que pudessem levar ao ideal do bom governo e do bom governante. Maquiavel rejeitou as análises idealistas e morais clássicas, imprimindo uma nova perspectiva analítica, passando a pensar a política como ela, de fato, é, e não como gostaríamos que ela fosse. Era preciso olhar, antes de tudo, para a “verittà effetuale de las cosas”. Embora republicano, Maquiavel não acreditava na possibilidade de construção de uma República popular/democrática em uma grande nação. Os founding fathers norte-americanos, influenciados por David Hume e Benjamin Constant – o intelectual e parlamentar francês e não o general positivista brasileiro -, provaram que o velho Nicolau estava errado.

Com o governo representativo, o bicameralismo, a tripartição dos Poderes do Estado, com um a criação de um sistema de partidos e um sistema eleitoral inovador, amparado no sufrágio universal, os norte-americanos efetivaram a República democrática em uma nação de dimensões continentais, promovendo uma revolução paradigmática na política. A partir do século XIX os norte-americanos vivenciaram um processo que vazão à profissionalização da atividade política e partidária. Partidos e políticos passaram a viver “da” política e não apenas “para a” política, exigindo que o político permanecesse sempre em posição de destaque e consiguisse, assim como seu partido, vencer eleições. Desde então, como destacava Max Weber, no clássico A política como vocação, os partidos tornaram-se máquinas burocráticas capazes, antes de tudo, de ganhar eleições. Por mais apoios populares que detivessem os políticos, obrigatoriamente teriam que render-se ao pragmatismo das instâncias partidárias.

Em face da política contemporânea, o bom mocismo moralista geralmente não é bom conselheiro para a tomada de decisões. Política e moral, como dizia Maquiavel, representam campos diversos, tese que, em grande medida, foi corroborada por Weber, ao distinguir a ética da convicção, do homem comum, que age de acordo com seus valores e desejos, e a ética da responsabilidade, do político e do governante, que não pode agir como quer, mas apenas como pode e deve, jogando a moral e a ética relacionadas aos desejos e ideais para um segundo plano, preponderando a política como ela é, e não como gostaríamos que fosse. No Brasil pós-redemocratização o pragmatismo político se impôs. O modelo do presidencialismo de coalizão, com um sistema partidário profundamente fragmentado e preponderantemente fisiológico, hoje com 35 legendas, associado a um sistema eleitoral proporcional personalista, de lista aberta, exige que a política seja feita com racionalidade e muito cálculo, pressupondo-se, sempre, que jamais se poderá fazer apenas o que se quer. Nesse cenário, a vontade particular, seja de candidatos ou partidos, sucumbe às limitações da realidade de exigência de coligações e acordos com aliados e adversários, assim, nenhuma decisão deve ser tomada sem avaliação de suas consequências.

Esse preâmbulo da teoria política ajuda a introduzir o tema que vem mobilizando os partidos, os políticos e a imprensa paraibana nos últimos dias. Refiro-me à coletiva do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, na qual afirmou que não será candidato ao governo do estado. Querendo ou não, quaisquer prefeitos da capital ou de Campina Grande são, naturalmente, credenciados à disputa para o governo, o que, claro, alçou Cartaxo a uma posição de destaque nos últimos meses, em meio às especulações eleitorais para 2018. A alegação de sua desistência caiu como uma bomba nas hostes oposicionistas. Cenários estão sendo reavaliados e novas alternativas começam a ser gestadas.

Tentemos compreender as opções de Cartaxo e os possíveis motivos para o anúncio de sua desistência. Como político profissional, seus cálculos não podem ser puramente pessoais, morais ou ideológicos, mesmo que em alguma medida estes aspectos possam intervir em suas decisões. Cartaxo sabe muitíssimo bem disso, caso contrário não teria abandonado o PT e migrado para o campo ideológico contrário ao filiar-se ao PSD. A escolha obviamente não foi ideológica, mas pragmática. E surtiu efeito positivo. Após ser vice-governador, reelegeu-se prefeito no primeiro turno e mantém uma administração muito bem avaliada. Com atributos pessoais que o fortalecem, como carisma, capacidade comunicativa e experiência parlamentar e de governo, o caminho natural para um político profissional com esse perfil e nestas circunstâncias seria o de pleitear o governo estadual ou a senatoria. Após uma longa pré-campanha informal, marcada por expressiva ampliação de possíveis palanques nos municípios do interior, os quais vem visitando há quase dois anos, o prefeito da capital já é conhecido em todo o estado e goza de indicadores de intenção de voto que o colocam na frente dos outros possíveis candidatos.

Dias depois de a imprensa local aventar um acordo com os tucanos, que supostamente teriam fechado uma chapa com Cartaxo na cabeça, o prefeito veio a público dizer que não será candidato, deixando todos boquiabertos e desnorteados.

O argumento de que quer o bem comum da cidade e pretende manter o compromisso com aqueles que o elegeram soa a moralismo ingênuo e falso, pois até as pedras sabem que ele vem articulando a candidatura ao governo desde antes de se reeleger prefeito. Política não é espaço para bons moços, o bom príncipe, como lembrava Maquiavel, deve saber blefar. Nenhum político profissional opta, voluntariamente, por ficar pelo menos dois anos sem mandato eletivo e longe dos holofotes da mídia apenas por apreço ao bem comum. Como dizia dr. Ulysses, os ventos mudam as nuvens e a política rapidamente, e as chances de vitória de Cartaxo hoje são grandes, então, por que não tentar montar no cavalo selado que passa à sua frente, sabendo que as circunstâncias favoráveis podem não se repetir no futuro? Como em política não há vácuo, se Cartaxo optar por sair de cena, outros ocuparão o espaço deixado. É claro que não sabemos se algum motivo extraordinário e involuntário possa ter levado o prefeito à decisão de abdicar da peleja. Haveria a ação de “forças ocultas” envolvendo a decisão?

Quando Jânio Quadros renunciou alegando pressões de “forças ocultas”, muito se especulou, algumas teses alegavam ter sido o ato uma jogada de risco. Sem apoio congressual, o presidente teria imaginado que o Congresso, temendo o vice, João Goulart, não aceitaria a renúncia, reconduzindo-o ao palácio do Planalto nos braços dos parlamentares, revertendo o quadro negativo. Se Jânio de fato blefou não se sabe, mas o resultado da manobra é conhecido, o golpe branco de 1961, que colocou Tancredo Neves na chefia do gabinete, no curto parlamentarismo que vigorou até 1963. Jânio, por sua vez, jamais teve nova oportunidade de angariar alcance político nacional. Seria a opção de Cartaxo fruto de pressões de “forças ocultas” ou uma cartada de risco, para aumentar seu cacife e a fatura nas negociações com os adversários que queria como aliados? Só saberemos dia 07 de abril, quando do prazo limite para renúncias e desincompatibilizações daqueles que exercem cargos públicos e pretendem se candidatar neste ano. Se for blefe, Cartaxo terá que renunciar até lá. Assim, o prefeito tem ainda um mês para tomar a decisão, o que em política pode ser muito tempo. Por que, então, antecipá-la? Se a decisão é ou não definitiva, logo saberemos. Se não for, entretanto, a possível renúncia não será suficiente para a definição da composição da chapa, pois as negociações devem se alongar até dia 05 de agosto, quando do prazo limite para a realização de convenções partidárias. Não seria estranho que as alianças só viessem a se consolidar nas convenções, pois esta vem sendo a regra, pelo menos nas últimas eleições, e nada indica que neste ano será diferente, pois as disputas intrapartidárias nas principais legendas do estado estão cada dia mais intensas pelo lado das oposições, particularmente no (P)MDB, no PSDB e, embora em menor grau, no próprio PSD. A montagem de alianças envolve não só a disputa para o governo, mas inúmeros outros cálculos partidários, o que pode arrastar as definições para os últimos minutos do segundo tempo.

Após a divulgação, no início da semana, do suposto acordo PSD/PSDB, a grita na bancada tucana na Assembleia foi grande, voltando-se a cogitar-se o nome de Cássio Cunha Lima como candidato do partido ao governo, mesmo em face da reiterada negativa por parte do senador, que continua publicamente rendendo apoio ao prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues. Depois da repercussão da divulgação da suposta chapa majoritária tucano-pessedista, não foi coincidência a ocorrência, no dia seguinte, de um almoço, fora da agenda, entre o prefeito e representantes do PSDB e do (P)MDB. Se a chapa uniria PSDB e PSD, o que fazia então o prefeito em uma reunião com Ruy Carneiro, presidente do diretório estadual tucano, e uma assessora de Olenka Maranhão, se a chapa de unidade das oposições teria implodido? Ao que parece, Cartaxo não queria apenas os tucanos na composição, insistiria no apoio dos emedebistas, o que, obviamente, contradiria a suposta candidatura de José Maranhão ao governo. O que pode-se inferir, embora nada de fato se saiba sobre o conteúdo da conversa, é que as negociações continuavam e não havia nada definitivamente fechado. Dois dias depois, divulga-se a coletiva de Cartaxo negando a candidatura e embaralhando o cenário.

Pode ser que Cartaxo tenha realmente perdido o apoio dos tucanos e da ala emedebista de Maranhão o que, obviamente, prejudicaria sobremaneira as chances eleitorais do prefeito. Não obstante, mesmo sem o aporte expressivo do fundo partidário e do tempo de rádio e TV do PSDB e do (P)MDB, sua candidatura ao governo ainda seria competitiva. Cartaxo poderia compor com pequenas e médias legendas, como vem fazendo na Câmara com sucesso, o que lhe garantiria um tempo, ainda que menor que o dos adversários, ao menos razoável para mantê-lo no páreo. Se continuasse com boas intenções de voto, o dinheiro para a campanha apareceria, o que diminuiria a dependência do fundo partidário tucano e emedebista. Como a campanha deste ano será curtíssima, a diferença entre os tempos totais médios de rádio e TV entre os possíveis candidatos da oposição seria relativamente pequena. Como Cartaxo goza de grande vantagem nas intenções de voto,  mesmo perdendo espaço para outras candidaturas no campo das oposições, ainda poderia disputar em pé de igualdade, pois a tendência à pulverização de votos neste campo poderia reduzir as margens de diferença entre os candidatos, podendo eventualmente levar Cartaxo ao segundo turno contra o candidato governista, o que forçaria uma união das oposições, fortalecendo Cartaxo para o segundo sufrágio.

Só as candidaturas de Maranhão e Cássio poderiam minar as pretensões eleitorais de Cartaxo. Mas eles estão em condições competitivas neste ano? Há dúvidas.

Apesar de bater o pé afirmando que será candidato, Maranhão só vem tendo problemas. O alinhamento ao governo Temer pode trazer dinheiro e estrutura para o senador, mas também pode acarretar ônus. Hoje ninguém quer ser identificado com um governo corrupto e impopular. Mesmo que ocorra alguma recuperação na imagem do governo federal, a pecha negativa não será evitada. Maranhão ainda conta com um intenso fogo (“mui”) amigo no interior do (P)MDB paraibano. Manoel Júnior, na expectativa de assumir a prefeitura após a possível renúncia do titular, estava, até dias atrás, de malas prontas para migrar para o PSD de Cartaxo. Agora ninguém mais sabe qual o destino do ex-deputado. O vice-prefeito ainda controla o principal diretório emedebista do estado, o de João Pessoa, o que vem sendo uma pedra no sapato para Maranhão, visto que por unanimidade os membros da executiva local decidiram apoiar a possível candidatura Cartaxo, preterindo a do senador. Mas os problemas não param por aí. Após o anúncio de Nabor Wanderley informando a possibilidade de migração para outro partido, possivelmente o PRB, a manutenção de Hugo Motta e dos demais membros da família Motta Wanderley no (P)MDB começa também a ser questionada. Finalmente, Veneziano Vital do Rego já ensaia, há mais de um ano, a saída do (P)MDB. O deputado vem votando sistematicamente contra a liderança do partido na Câmara Federal e tendo rusgas com a ala da legenda ligada a Maranhão. Não é novidade o flerte de Vené com a chapa governista, e a saída do (P)MDB poderia asfaltar a aproximação com a turma do girassol. Com as relações entre Maranhão e os Vital do Rego indo de mal a pior, o senador também terá que avaliar, em caso de saída do deputado do partido, o custo de sua candidatura ao governo, pois implicará na posse da ex-deputada e mãe de Veneziano em seu lugar, já que Nilda Gondim é sua primeira suplente. No âmbito estadual a situação não é muito diversa. Nos anos 1990 o (P)MDB foi hegemônico no estado, chegando a ocupar 10 cadeiras na Assembleia Legislativa, quase um terço do parlamento estadual. Depois foi perdendo força, caiu para 6, 4 e pode terminar essa legislatura com apenas 3 deputados estaduais. Sabe-se que a força do (P)MDB vem dos municípios, pois o partido é, de longe, o mais capilarizado do país. Não obstante, nas últimas eleições municipais o (P)MDB foi fragorosamente derrotado. Entre as cidades médias, só ganhou Pombal. O partido só fez os prefeitos de pequenas cidades no entorno de Patos, exatamente a região controlada pelos Motta Wanderley, de saída da agremiação. O (P)MDB não ganhou em nenhum município na grande João Pessoa, e praticamente desapareceu da região de Campina, restringindo as prefeituras sob o comando do partido à região do médio para o alto sertão do estado. Olhando o mapa das prefeituras por partido, percebe-se que o (P)MDB desapareceu no Litoral, no Brejo, no Curimataú, no Cariri. Sem a região de Patos, Maranhão não teria palanques no interior, o que dificultaria enormemente sua tarefa de estadualizar a campanha, mesmo levando em consideração a alta capilaridade e a relativa organização da burocracia do partido no estado.

Imaginando-se que a debandada geral de fato se concretize, haverá no (P)MDB uma pressão forte para que Maranhão abdique de sua candidatura majoritária e fortaleça uma aliança ampla, que permita pelo menos manter o número atual de cadeiras parlamentares. Sem Manoel Júnior, Hugo Motta e Veneziano, o partido perderia todos os deputados eleitos no último pleito para a Câmara Federal. Paralelamente, as chances eleitorais de Raymundo Lyra eleger-se para o Senado são pequenas, mesmo injetando montanhas de dinheiro na campanha. Se Cássio e Ricardo se candidatarem ao Senado, o que é bem provável, Lyra não teria nenhuma chance. Neste cenário, dificilmente a direção nacional do (P)MDB manteria o apoio integral à candidatura de Maranhão, que restringiria sobremaneira a possibilidade de coligações proporcionais, as quais poderiam permitir, ainda que com dificuldade, a manutenção da bancada parlamentar atual do partido.

A vontade de ser candidato é notória nas falas do senador Maranhão, mas a política não é como gostaríamos que fosse, não é fruto do que se quer, mas também e principalmente do que se pode e deve, e a demanda atual do (P)MDB envolve evitar o colapso geral do partido no estado, o que exigiria um esforço principal para eleições proporcionais, na contramão do idealismo do senador. Há ainda muita água pra rolar, mas a preço de hoje, a candidatura de Maranhão é frágil.

Vejamos então o caso tucano. Cássio está desgastado e sabe disso. Seria inimaginável em anos anteriores ver o senador vaiadíssimo em seu curral eleitoral, como viu-se no São João de Campina, e em vários outros espaços menos ilustrativos. Claro que uma liderança como a dele, mesmo circunstancialmente desgastada, ainda rende muitos votos, o que mantém relativamente seu potencial competitivo. Mas será que arriscará abrir mão de uma reeleição quase certa ao Senado para se lançar em uma peleja arriscada, com as oposições divididas e o governo fortalecido? Se perdesse, além de ficar sem mandato, perderia também o privilégio de foro, cada dia mais importante para aqueles que, como ele, respondem a processos criminais no Supremo. Após a cassação de seu mandato como governador, uma nova derrota na Justiça selaria sua carreira política, de forma semelhante ao que ocorre hoje com seu ex-irmão siamês, Aécio Neves. A manutenção do foro privilegiado e dos holofotes nacionais à frente da liderança do PSDB no Senado pode falar mais alto.

Sem Cássio, os tucanos não têm candidatos competitivos. Romero não é conhecido no estado e até pouquíssimo tempo não vinha visitando as bases eleitorais no interior, lição de casa que Cartaxo e João Azevedo vêm fazendo com afinco e expressivos retornos, na forma da conquista de apoios de prefeitos e vereadores e preparação de palanques por todo o estado. Romero não tem  penetração na região metropolitana de João Pessoa, que representa um terço do eleitorado do estado. O prefeito de Campina insiste em afirmar-se como candidato, mas sabe que hoje é carta fora do baralho e dispõe de pouca capacidade competitiva. Sua pretensão serve mais como moeda de troca que como alternativa real. Se o tucanato vier, eventualmente, a lançar Romero, será por falta de opção melhor, abrindo caminho para a derrota do prefeito. Mas, o que fazer com Romero? Candidatura à deputação federal? Imagino que, nesta hipótese, o prefeito possa ter muita dificuldade, pois Cássio não abrirá mão de privilegiar a candidatura de seu filho, Pedro Cunha Lima, o mais votado nas últimas eleições. Romero disputaria votos na região com o pupilo principal do clã, o que pode ser prejudicial para os planos tucanos na cidade e no estado. Romero poderia ser indicado como candidato ao Senado? Pode ser, mas seria uma temeridade lançar-se em uma disputa contra Cássio e Ricardo. A segunda vaga ao Senado na chapa tucana deve ser preferencialmente dedicada à atração de aliados de outras legendas, fortalecendo a campanha geral do partido. E para deputação estadual, será que Romero toparia? Não sei, mas seria uma alternativa interessante para os tucanos, pois o prefeito certamente se elegeria com expressiva votação e, possivelmente, levaria consigo outros candidatos da legenda. Em caso de vitória dos tucanos para o governo, Romero poderia se credenciar como o principal líder na Assembleia, fortalecendo-se para cargos executivos e legislativos em outras instâncias, sem ficar fora de cargo eletivo. Se o candidato da situação vencesse, Romero automaticamente se colocaria como principal figura da oposição ao governo, preparando uma futura candidatura mais sólida e planejada.

Com a suposta desistência de Cartaxo e a falta de lideranças competitivas no ninho tucano, aventou-se até o nome de Pedro Cunha Lima como candidato ao governo, o que é pouco provável que venha a acontecer. Pedro está começando sua carreira e Cássio não o lançará em uma eleição  arriscada, que poderia interromper a trajetória política do filho ainda em seu início. Uma candidatura agora poderia prejudicar seu futuro político e interromper a gestação da terceira geração do clã na política estadual. Lançar o jovem calouro agora, ainda sem qualquer experiência administrativa, em uma disputa contra um experiente administrador, amparado por um governo muito bem avaliado, seria quase empurrá-lo para a degola. É muito cedo para Pedro enfrentar uma peleja desta magnitude. Melhor manter-se na Câmara e dar continuidade a sua carreira, que começou muito bem, e não precisa neste momento de uma derrota no currículo.

São muitas as conjecturas, os cenários e as possibilidades em jogo em face do quadro cada vez mais imprevisível no campo das oposições. Enquanto isso, Ricardo Coutinho e João Azevedo viajam dia e noite pelo estado, acompanhando as plenárias do orçamento democrático, visitando municípios, reunindo prefeitos, inaugurando obras e lançando projetos novos.

Perdidos no meio do tiroteio “amigo”, os emedebistas preocupados com as proporcionais já ensejam uma rebelião contra Maranhão e flertam com o governo, ao ver que as oposições podem dar tiros em seus próprios pés. Neste contexto, antes que problema, Cartaxo ainda pode ser a solução para as oposições, não por opção, mas por falta dela. Não me surpreenderia se daqui há um mês o prefeito de João Pessoa voltasse a mudar de opinião, como as nuvens que mudam com o vento, e aparecesse nos braços de tucanos, emedebistas, ou de ambos, ungido e aclamado como candidato das oposições, para a felicidade de todos e para a vontade, se não geral, de parte expressiva do (P)MDB e do PSDB.

O certo é que hoje é tudo muito imprevisível. Parafraseando canção famosa na Paraíba, amanhã tudo pode acontecer, inclusive nada! Embolou o meio de campo.

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