Em dossiê, comunidade acadêmica denuncia ilegalidades na UFPB e pede destituição de Valdiney Gouveia

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O Comitê de Mobilização pela Autonomia e contra a Intervenção na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), composto por entidades e coletivos de todas as categorias da comunidade acadêmica, apresentaram na manhã desta quarta-feira (25) um dossiê onde denunciam “ilegalidades” e fatos “gravíssimos” ocorrendo na instituição sob o comando de Valdiney Gouveia, que eles chamam de interventor.

No dossiê, entregue ao Consuni e Consepe, eles pedem a destituição de Valdiney, prerrogativa que está no estatuto da UFPB. O dossiê será entregue, à tarde, ao Ministério Público. Pede também que o Consuni e o Consepe pautem a discussão do dossiê e do processo de intervenção que ocorre na UFPB.

O dossiê, de 35 páginas, é dividido em cinco eixos, que englobam a censura, ataques a entidades representativas, precarização do trabalho e condições da comunidade universitária, estudantes, professores, técnicos e esvaziamento das funções, prerrogativas dos conselhos superiores da universidade.

O texto aponta situações graves, como repressão e censura, ataque a entidades representativas e movimentos, descaso com as condições de vida de estudantes e trabalhadores e gestão subordinada ao alinhamento ideológico com a extrema direita.

O professor Daniel Antiquera, do Departamento de Relações Internacionais da UFPB, e que integra o comitê, disse que o dossiê da intervenção na UFPB tem o objetivo de agregar diferentes fatos ocorridos na entidade.

“Nós, inclusive, solicitamos dentro da Universidade e fora que sejam apuradas fatos gravíssimos, ilegalidades e outros que, embora não constituam formalmente ilegalidades, constituem atentados explícitos a liberdade e a democracia dentro da universidade, disse Daniel.

Segundo ele, existe uma linha a orientar a gestão de Valdiney. “Se ele se manifesta toda vez que não tem ideologia contra as manifestações políticas, o dossiê mostra de forma contundente e irrefutável que tem uma política muito clara e precisa sendo aplicada por esse reitor, que é a política do bolsonarismo e da extrema-direita, mais reacionários, mais intolerantes, mais fechados à diferença, à liberdade de organização, de manifestação. E isso se expressa muito concretamente, inclusive com o desrespeito as instâncias institucionais e as normas da própria universidade que ele, ilegitimamente, dirige”, afirmou.

O dossiê foi apresentado durante ato público realizado em frente ao prédio da Reitoria. Tanto o ato quanto a divulgação do dossiê fazem parte da agenda de atividades da Semana Nacional de Luta contra a intervenção nas Instituições Federais de Ensino, deliberada pelo Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), e conta com o apoio e participação da Adufpb (Seção Sindical do Andes na UFPB).

O presidente da ADUFPB, Fernando Cunha, disse que esta quarta-feira faz parte da plataforma, do sindicato nacional, de uma semana de resistência contra as intervenções no país. “São mais de 25 instituições federais de ensino que tem algum tipo de intervenção”, afirmou.

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