Doutor em Geografia considera “irreal” previsão de tsunami na Paraíba

Diante das especulações de que a Paraíba poderia ser atingida por um tsunami de grandes proporções causado pela erupção do vulcão Cumbre Vieja, localizado no arquipélago espanhol das Ilhas Canárias, o ParlamentoPB entrou em contato com o professor doutor Jonas Sousa, do Departamento de Geociências da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) para verificar se realmente existe motivo para o alarme. “Essa notícia é requentada de tempos em tempos. Ela surgiu em 2001 quando dois pesquisadores escreveram um artigo sobre o tema, que vem sendo revisitado várias vezes. De forma científica, já ficou provado em estudos posteriores que o potencial destrutivo do desmoronamento de parte do vulcão ou os sedimentos gerados por ele poderia ter um alcance de 40 a 100 km, mas não deve ter efeito forte ou qualquer efeito no Brasil e na Paraíba”, comentou.

A pesquisa à qual Jonas fez referência foi manchete em várias revistas científicas e na grande mídia em 2001 a partir do artigo de Simon Day, da Universidade College of London e Steven Ward, da Universidade da Califórnia.

Os temores de um incidente como esse se tornaram maiores nos últimos dias porque o governo espanhol confirmou que houve um aumento de atividade sísmica ao redor do vulcão de Teneguia, nas Ilhas Canárias, da Espanha, e admitiu que pode haver uma erupção nos próximos dias ou semanas.

“Isso é algo local, mas em 2001, uma dupla de pesquisadores americanos escreveu um artigo a partir de dados matemáticos e criou cenários catastróficos em relação aos efeitos do vulcão. Diziam que uma das laterais poderia colapsar causando grande deslizamento e um mega tsunani atingindo a África, Europa e a costa das Américas. O artigo teve muita repercussão e por causa dele foi feita uma grande quantidade de outros trabalhos sobre o assunto. A maior parte das pesquisas desmentia em parte ou toda a previsão inicial. A unanimidade hoje é que os padrões e registros sobre esse tipo de vulcão específico é que esse cenário previsto em 2001 seria irrealista. A probablidade é baixa de ocorrer e o volume de rocha e solo seria muito menor, gerando um potencial destrutivo em um raio de 40 a 100 km. Assim, na costa da África ou na Península Ibérica, a altura das ondas mais realistas seriam de um a dois metros”, ponderou Jonas.

As Ilhas Canárias estão a cerca de 100 quilômetros da costa do Marrocos. Além desse vulcão, há outros nas ilhas, como o de Teide, na ilha de Tenerife, e o de Timanfaya, na ilha de Lanzarote.

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