Dezesseis dias após vitória de Biden, Trump autoriza transição de governo

Passados dezesseis dias desde o resultado da eleição, em 7 de novembro, o presidente americano, Donald Trump, deu um primeiro passo para autorizar a transição de seu governo para o do democrata Joe Biden.

Sem reconhecer oficialmente a derrota, ele escreveu no Twitter que permitiu a Administração de Serviços Gerais (GSA, na sigla em inglês) a iniciar os protocolos.

“Quero agradecer a Emily Murphy da GSA por sua dedicação e lealdade a nosso país. Ela foi assediada, ameaçada e abusada —e eu não quero ver isso acontecer com ela, com a família dela ou com funcionários da GSA”, disse, ontem (23), ele, que insiste em uma cruzada jurídica desde a vitória de Biden, com falsas alegações de fraude na disputa.

“Nosso caso continua fortemente, manteremos a boa luta, e acredito que venceremos. De todo jeito, pelo melhor do nosso país, estou recomendando que Emily e sua equipe façam o que precisa ser feito com relação aos protocolos iniciais, e disse à minha equipe para fazer o mesmo.”

Nos EUA, assim que um novo presidente é eleito, a GSA autoriza de maneira formal o início da transição.

Para isso, a agência assina uma carta que libera recursos para pagamento de salários e apoio administrativo aos novos funcionários, além do acesso à burocracia americana —neste ano, o valor total é estimado em US$ 9,9 milhões (R$ 52,97 milhões).

A equipe do presidente eleito disse que o atraso estava ameaçando a segurança nacional e dificultando as ações de combate à pandemia de coronavírus.

Em uma carta à equipe do presidente eleito, Murphy disse que “nunca foi direta ou indiretamente pressionada por nenhum órgão executivo —incluindo aqueles que trabalham na Casa Branca ou na GSA”.

Apesar do tuíte de Trump, ela disse que “a decisão foi exclusivamente” dela.

Murphy justificou o atraso dizendo que não queria se adiantar ao processo constitucional de contagem de votos e escolha do presidente. “Tomei minha decisão de maneira independente, com base na lei e nos fatos disponíveis.”

A chefe da GSA citou “eventos recentes envolvendo questionamentos legais e certificações de resultados” —Michigan certificou a vitória de Biden nesta segunda (23), resistindo à pressão de republicanos para adiar a confirmação.

O início do processo de transição aconteceu depois que congressistas republicanos criticaram o atraso de Murphy em autorizar a pacífica e organizada transferência de poder.

O senador Lamar Alexander, do Tennessee, fez dois pedidos em três dias por uma pronta transição.

“Já que parece que Joe Biden será o presidente eleito, espero que o presidente Trump se orgulhe de suas conquistas consideráveis, ponha o país em primeiro lugar e tenha uma transição rápida e ordenada para ajudar a nova administração a ter sucesso”, disse ele, que é amigo próximo do líder republicano no Senado, Mitch McConnell. “Quando você está na vida pública, as pessoas se lembram da última coisa que você fez.”

Mais cedo, os senadores Rob Portman (Ohio) e Shelley Moore Capito (Virgínia Ocidental) divulgaram comunicados rompendo com Trump e pedindo que Biden passasse a receber informações sobre o coronavírus e de segurança nacional.

Em um comunicado, Yohannes Abraham, diretor executivo da equipe de transição, disse que a decisão da GSA é “um necessário passo para começar a encarar os desafios que a nossa nação enfrenta, incluindo controlar a pandemia e colocar a economia de volta nos trilhos.”

 

Folha de S. Paulo

 

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