CRM volta a fiscalizar hospitais do Sertão e desinterdita UTI da maternidade de Patos

A equipe de fiscalização do Conselho Regional de Medicina do Estado da Paraíba (CRM-PB) esteve na cidade de Patos, no Sertão paraibano, nesta quinta-feira (18) para averiguar as melhorias realizadas nas unidades de saúde da cidade, após inspeção realizada na semana passada. Com o abastecimento de medicamentos, insumos e materiais necessários para o Hospital e Maternidade Peregrino Filho, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e a Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal (UCIN) foram desinterditadas e os médicos poderão voltar a internar crianças a partir da zero hora desta sexta-feira (19). Estas unidades estavam interditadas eticamente pelo CRM-PB desde o dia 12 de abril, por falta de materiais básicos, que comprometiam um atendimento adequado.

“Felizmente, vimos que a maternidade foi abastecida com o material necessário e, com isso, promovemos a desinterdição. No entanto, durante a visita ao hospital, também realizamos reunião com a equipe médica e constatamos que eles estão muito insatisfeitos por estarem com seus salários atrasados desde o mês de janeiro, querendo organizar um indicativo de greve. Como essa não é atribuição do CRM, orientamos os profissionais procurarem o Sindicato dos Médicos”, explicou o diretor de Fiscalização do CRM-PB, João Alberto Pessoa.

Ainda em Patos, a equipe de fiscalização visitou o Hospital do Bem, inaugurado em setembro do ano passado, pelo Governo do Estado, com a proposta de ser referência no tratamento do câncer para a população do Sertão. “Apesar de ter uma boa estrutura, não há escala médica no hospital. Hoje (quinta, 18) havia onze pacientes internados sem nenhum médico plantonista. Encontramos apenas a equipe de enfermagem. Como um hospital pode funcionar sem médicos?”, questionou o diretor de fiscalização, que disse também que a direção do hospital terá 15 dias, após receber o relatório do CRM-PB, para entregar a escala médica completa da unidade hospitalar, sob risco de interdição ética.

O Hospital do Bem faz parte do Complexo Hospitalar Regional Deputado Janduhy Carneiro, que foi fiscalizado pelo CRM-PB na semana passada e também está com inconformidades a serem resolvidas. De acordo com João Alberto, o hospital apresenta problemas gravíssimos em sua estrutura física, além da falta de medicamentos, laboratório precário, superlotação e UTI sem prestar atendimento adequado por falta de equipamentos.

“Esta é uma unidade de saúde importantíssima para a região, que não pode ser interditada eticamente, mas que está funcionando em clima de guerra. O centro cirúrgico, por exemplo, não pode funcionar do jeito que está, com infiltrações nas paredes, ar condicionado com vazamento e baldes para conter a água, piso de concreto, além de um esgoto que se abre a cada sete dias para limpeza”, explicou. Após o recebimento do relatório do CRM-PB, o hospital tem um prazo de 20 dias para sanar pelo menos os problemas da estrutura física.

Hospital de Taperoá – Na fiscalização realizada pelo CRM-PB, no Sertão, no último dia 12 de abril, também foi inspecionado o Hospital Geral de Taperoá.  A equipe do conselho encontrou um hospital com falta de medicamentos, insumos, roupa para pacientes e funcionários, além de uma quantidade escassa de médicos. Diante da gravidade, o CRM-PB havia dado um prazo de 10 dias para as adequações necessárias.

Após visita realizada no hospital, pelo secretário executivo de Gestão de Rede e Unidades de Saúde, Geraldo Medeiros, no último dia 16, o CRM-PB foi informado que o hospital passará para a gestão direta do Governo da Paraíba, de forma transitória e excepcional, visando a manutenção do serviço. O hospital era administrado pela Organização Social (OS), Instituto Gerir, assim como a maternidade Peregrino Filho e o Janduhy Carneiro.

Com a mudança de administração, os problemas devem começar a ser resolvidos. A equipe do CRM-PB observou que o hospital já estava sendo abastecido e preparado para atender as urgências da população durante o feriado da Semana Santa. “Ficamos satisfeitos com os problemas começando a serem resolvidos, após uma ação do Conselho de Medicina”, completou João Alberto.

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