Caso Lázaro

Durante 20 dias, os termos “psicopata”, “assassino”, “serial killer” e outros foram associados a Lázaro Barbosa de Sousa, de 32 anos, morto após ser preso em Águas Lindas, no entorno do Distrito Federal, no dia 28 de junho de 2021.

Investigado por mais de 30 crimes cometidos em Goiás, Bahia e Distrito Federal, Lázaro tomou repercussão nacional e internacional após ser acusado da chacina de uma família: um casal e dois filhos, no bairro de Ceilândia, Brasília, e do funcionário de uma fazenda no distrito de Girassol, em Goiás.

Derivada das palavras gregas: PSYKHÉ (mente) e LOGIA (estudo de), a Psicologia é a ciência que estuda os processos mentais e o comportamento do ser humano em face às suas interações com um ambiente físico e social.
Nesse contexto, estudos da Medicina Legal perceberam que muitos criminosos agressivos e cruéis não apresentavam os sinais clássicos de insanidade e que detinham comportamentos antissociais e amorais, sem demonstração de arrependimento ou remorso, incapacidade para amar e se relacionar com outras pessoas com laços afetivos profundos, egocentrismo extremo e incapacidade de aprender com a experiência. Surgiu assim o termo “psicopatia”, tendo na etimologia a junção das palavras gregas PSYKHÉ (mente) e PATHOS (sofrimento).

A suspeita de Lázaro Barbosa ser o psicopata responsável por massacres, chacinas e assassinatos em série traz a tona um debate acalorado entre como fazer justiça às vítimas, seus familiares e à sociedade, na possibilidade do acusado ser imputável (pessoa que já pode responder por seus atos e ser condenada a alguma pena), semi-imputável (perda parcial da compreensão da conduta ilícita e da capacidade de discernimento sobre os atos praticados, podendo ter pena reduzida ou até mesmo zerada), ou inimputável (pessoas que, por doença ou mal desenvolvimento mental, não podem entender que o ato cometido era crime, e por isso não são penalizadas).

Contudo, o desfecho do “Serial killer do DF”, um dos muitos títulos atribuídos a Lázaro, não permitiu que o Poder Judiciário, pela ciência forense, julgasse a imputabilidade do réu, alvejado com quase 40 tiros dos 125 disparos realizados pela força-tarefa, com um contingente de 270 policiais que estavam na caçada.

O sentimento de crime solucionado e de justiça feita ao estilo do arcaico Código de Hamurabi: olho por olho, dente por dente, foi registrado em filmagens na cidade, tendo direito a comemoração com fogos de artifícios e narrado como triunfo de vitória pelo Governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e pelo próprio Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, defensor do “bandido bom, é bandido morto”!

As investigações da força-tarefa apontam que Lázaro Barbosa seria capanga de uma quadrilha com interesses patrimoniais na região de Cocalzinho, em Goiás, onde supostamente as famílias eram expulsas de terras para que o grupo obtivesse lucros latifundiários.

O cheiro de pólvora, no estrondo de 125 tiros, “silenciou” Lázaro Barbosa, impedido de ter sua personalidade avaliada, bem como da possibilidade de confissão sobre quem tinha interesse nos crimes, ou seja, de quem ele era capanga, quem mandou matar.

As etapas de uma investigação e a busca de um criminoso devem estar pautadas no Código Penal e na Constituição Federal, respeitando o direito à vida, por mais que o suspeito a tenha tirado. O contrário disso não é Justiça, é a barbárie; não nos torna heróis, e sim iguais a autoria dos crimes repugnantes.

Em coletiva à imprensa, o secretário Rodney Miranda afirmou que o homem descarregou uma pistola contra os policiais ao ser encontrado, fazendo com que os agentes revidassem com 40 tiros certeiros na pessoa que poderia revelar quem financiava os crimes, quem lhe deu R$4.400, encontrado no bolso do suspeito.

Não poderemos contar com a ressurreição de Lázaro, milagre de Jesus em Betânia relatado no Evangelho de São João, que tanto foi utilizado nos memes das redes sociais após a morte de Lázaro Barbosa. Nos resta à fé para que as investigações apontem os mandantes dos crimes para que assim aconteça o que também está escrito no mesmo Evangelho: Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

 

 

1 comentário

  • Lucia Oliveira
    15:38

    Parabéns Doutor! Foi execução só é permitido em tempo de guerra e mesmo assim por fuzilamento , não foi o caso ! Com ele morreram as muitas verdades! A qq criminoso é dado o direito de ampla defesa, a ele foi negado ! Quem ganhou com isto ! Não se deve comemorar a morte ninguém , isto é desumano !

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