Carlos Ghosn renuncia à presidência da Renault

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A era Carlos Ghosn terminou oficialmente na Renault, e a dupla formada por Thierry Bolloré, vice e sucessor, e Jean-Dominique Senard, presidente da Michelin, será apresentada nesta quinta-feira (24) à frente da montadora francesa, em um contexto de grandes desafios.

Após a reunião do conselho administrativo em Boulogne-Billancourt, perto de Paris, os dois homens deverão dividir as funções do ex-líder do grupo, que dirigia a Renault desde 2005 e está preso no Japão há mais de dois meses.

Carlos Ghosn pediu demissão da presidência na quarta-feira à noite, anunciou nesta quinta à AFP o ministro francês da Economia, Bruno Le Maire, no Fórum Econômico Mundial de Davos.

Philippe “Lagayette (diretor da Renault) recebeu ontem à noite a carta de demissão de Carlos Ghosn”, disse Le Maire.

O “cost-killer” é alvo de três acusações, por quebra de confiança e por ter omitido das autoridades da Bolsa quase 5 bilhões de ienes (44 milhões de dólares) de seus rendimentos entre 2010 e 2015.

A Nissan também faz outras acusações, como a compra de residências de luxo em Beirute, Rio ou Paris, doações a universidades no Líbano ou o emprego fantasma de sua irmã no Brasil, tudo pago pela montadora japonesa.

O julgamento, no qual poderá ser condenado a até 15 anos de prisão, vai demorar meses.

Na nova administração, Thierry Bolloré, de 55 anos, será designado diretor geral, enquanto Jean-Dominique Senard, 66 anos e número um da Michelin, vai se tornar presidente do conselho de administração.

Senard tem o importante apoio do governo francês, uma vez que o Estado é o primeiro acionista da Renault, com 15% do capital e cerca de 22% dos direitos de voto.

“Senard vai ser, em nossa opinião, um excelente presidente da Renault se o conselho decidir nomeá-lo”, declarou Le Maire em coletiva de imprensa à margem do Fórum Econômico de Davos.

Thierry Bolloré, que ocupa o cargo de diretor geral interino desde o final de novembro, representa a continuidade dentro do grupo, ao qual juntou-se em 2012.

Ele conhece bem o mercado asiático, em particular o japonês, uma vantagem neste momento em que a futura relação entre a Nissan e a Renault é permeada de dúvidas.

Embora o CEO da Nissan, Hiroto Saikawa, insista que a aliança entre Renault e Nissan, construída por Carlos Ghosn, não está “absolutamente em perigo”, muitas são as dúvidas.

Quem, por exemplo, vai presidir a aliança, número um mundial do setor em 2017, com 10,6 milhões de veículos vendidos, incluindo 3,76 milhões para Renault e 5,81 milhões para a Nissan? A sucessão parece um quebra-cabeça, mesmo que o estatuto diga que o CEO da entidade deva ser nomeado pela Renault, enquanto a Nissan escolhe o vice-presidente.

A Renault detém 43% da Nissan, que por sua vez detém 15% da Renault (sem direito a voto) e 34% da Mitsubishi.

Mas a Nissan pesa quase o dobro da Renault no mercado de ações e a situação gera ressentimento no Japão.

Primeiro sinal de distensão entre os dois grupos, a Nissan anunciou nesta quinta-feira a realização de uma assembleia geral extraordinária em meados de abril para ratificar a demissão de Ghosn e nomear um novo líder, uma demanda da Renault que o aliado japonês evitava até agora.

Uma revisão da aliança, da qual Carlos Ghosn era a pedra angular, poderia significar uma perda de influência da Renault.

No domingo passado, Bruno Le Maire negou veementemente informações da imprensa japonesa de que representantes do Estado francês teriam pedido uma fusão entre a Renault e a Nissan. Um cenário que “não está na mesa”.

“O papel do presidente da Renault será, segundo o Estado acionista, garantir o fortalecimento da aliança entre a Renault e a Nissan, que é absolutamente estratégica”, ressaltou o ministro nesta quinta

Carlos Ghosn lega uma empresa com boa saúde financeira, depois de ter aumentado o volume de vendas globais em mais de 50%, para quase 4 milhões de veículos (excluindo Nissan e Mitsubishi).

Jornal do Brasil

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