Candidato do partido de Bolsonaro apoia Haddad e relata ameaças

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Filiado ao partido de Jair Bolsonaro (PSL), o candidato derrotado para o governo de Sergipe Eduardo Cassini (PSL) anunciou esta semana que apoiará o presidenciável Fernando Haddad (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.

O apoio foi dado em um ato na sede estadual do PT em Sergipe, no qual ele informou que apoiaria o governador de Sergipe e candidato à reeleição Belivaldo Chagas (PSD), que disputa o segundo turno contra Valadares Filho (PSB).

Belivaldo disputa a eleição com o apoio do PT —o partido indicou Eliane Aquino, viúva do ex-governador Marcelo Déda (1960-2013), como candidata a vice.

“Nós estamos dando apoio à causa [candidatura de Belivaldo] e vamos também trabalhar para Haddad”, disse Cassini em um rápido discurso na ocasião.

Em conversa com a Folha, Cassini justificou sua decisão afirmando que considera boa a gestão do atual governador e que não faria sentido apoiar outro candidato.

“Na minha visão, ele faz um governo muito bom. Como gestor que eu sou, não poderia ser incoerente”, afirmou Cassini, que não quis falar sobre o apoio a Haddad. No primeiro turno, ele pediu votos para Jair Bolsonaro (PSL).

Cassini ainda afirma que tem recebido telefonemas com ameaças de morte a ele e à sua família desde que anunciou apoio a Belivaldo e Haddad. Na tarde desta sexta-feira (12), ele prestou queixa na Polícia Civil.

Em nota, Cassini lamentou as ameaças e disse que, numa democracia, discordâncias são debatidas, compreendidas e resolvidas de forma política, não em forma de violência. Disse ainda que se sente “acuado e intimidado” e que teme por sua vida de seus familiares.

“Peço aos que acreditaram em mim e me viram como um homem sério, honesto, digno, que entendam minhas razões e que não semeiem o ódio, pois ele pode nos destruir”, afirmou.

Vice-presidente estadual do PSL, José Edgnaldo Junior, afirma que a posição de Cassini não representa o partido, que pedirá a desfiliação do candidato a governador derrotado.

Ainda afirma que o apoio do candidato do PSL a Fernando Haddad “não tem o menor sentido” e acusa o ex-aliado de ter recebido dinheiro ou promessa de cargos em troca do apoio: “É a única explicação que posso conceber”, diz. Cassini não comentou as acusações.

Egnaldo também negou que qualquer tipo de ameaça a Cassini tenha partido de membros da direção do partido em Sergipe. “Sequer conseguimos falar com ele, que nem atende mais aos nossos telefonemas. Mesmo se quisesse não poderia ameaçá-lo”, afirma.

Eduardo Cassini teve 32.326 votos no primeiro turno das eleições, equivalente a 3,27% dos votos válidos da disputa para governador.

Folha de S. Paulo

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