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Brasil crescerá menos que países vizinhos, diz estudo

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Ao contrário do que aconteceu nos últimos três anos, o Brasil crescerá em 2011 menos do que a média dos países latino-americanos, aponta estudo feito pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).

 
Com crescimento de 4% do PIB, numa visão otimista, o país, que tem quase 42% da soma das 33 economias analisadas, puxará para baixo o desempenho regional.
 
Este ano deverá ficar em 4,7%, ante 5,9% em 2010, quando o país cresceu 7,5%. Na América do Sul, o crescimento médio deve ser de 5,1%, ante 6,4% no ano passado.
 
Apesar da desaceleração, que tende a continuar em 2012, o relatório destaca o momento positivo da região, que atribui ao aumento do consumo privado, do crédito, do investimento e da demanda externa por produtos agrícolas e minerais.
 
Mas alerta para a necessidade de conter a inflação e a valorização cambial, que provoca os riscos de deterioração das contas correntes (saldo de todo o dinheiro que entra e sai de um país) e da "especialização intensiva" em bens primários.
 
A Cepal também aponta a "vulnerabilidade" da região ao capital especulativo, que pode provocar "bolhas" financeiras e imobiliárias.
 
Entre 20 moedas analisadas, o real era a segunda que mais havia se valorizado (28,7%) em maio deste ano, numa comparação com a taxa média entre 1990 e 2009.
 
O Brasil atraiu mais de 70% dos capitais externos vindos para 19 países entre 2007 e 2010. Quando se consideram apenas investimentos em títulos e ações, o percentual sobe para 76%.
 
"Há um contrassenso quando o Brasil impõe controles à entrada de capitais e ao mesmo tempo aumenta a taxa de juros, fazendo-se mais atrativo para os capitais", disse à Folha Osvaldo Kacef, chefe da Divisão de Desenvolvimento da Cepal.
 
Kacef vê o câmbio valorizado como um "veneno de efeito lento" e diz que a primarização das exportações (a participação dos manufaturados caiu de 55,1% em 2005 para 39,4% em 2010) preocupa porque o país sempre teve diversificação.
 
Carlos Mussi, da Cepal em Brasília, diz que a intervenção no câmbio é necessária, mas que a inflação controlada é que dá a "perspectiva de continuidade para consumo e investimentos".
 
Segundo Mussi, o crescimento menor do Brasil neste ano deve-se ao fato de o país ter antecipado em 2009 medidas contra a crise: "É hora de administrar a situação".
 
O relatório sugere que a política fiscal pode aliviar o impasse. "O cenário internacional tem um grau de incerteza muito alto, e uma conjuntura favorável como essa é o momento em que os países da região podem se preparar para um período pior", diz Kacef.
 

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