Bolsonaro estuda demissão de ministro da Educação

Brasília — A ida do ministro da Educação, Abraham Weintraub, a uma manifestação no domingo em Brasília no momento em que o presidente Jair Bolsonaro tem buscado a conciliação com Judiciário irritou o presidente ao ponto de ele começar a cogitar uma saída honrosa de Weintraub do governo. Aliados de Bolsonaro afirmam que a melhor alternativa seria Weintraub deixar a pasta para evitar mais desgastes com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevista à BandNews TV nesta segunda-feira, Bolsonaro afirmou que Weintraub não foi “prudente” por ter comparecido ao ato e que esse é um problema que está tentando “solucionar”

A aliados, porém, Bolsonaro diz ter “apreço” pelo ministro, que também tem forte apoio da militância ideológica e dos filhos: o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Bolsonaro e Weintraub se reuniram na tarde desta segunda-feira no Palácio do Planalto. Segundo fontes, Bolsonaro vai buscar alternativas que agradem Weintraub, considerado até então por alguns interlocutores de Bolsonaro como um ministro quase indemissível.

Desde que assumiu o MEC, Weintraub se fortaleceu junto à militância ideológica de Bolsonaro. Interlocutores comparam a força de Weintraub no governo com a de Sérgio Moro quando era ministro da Justiça, que chegou a ser considerado um dos pilares do bolsonarismo no combate à corrupção. Além disso, Weintraub e seu irmão, Arthur Weintraub, mantêm uma relação de amizade com Carlos e Eduardo Bolsonaro ao ponto de frequentarem a casa e participarem juntos de churrascos no fim de semana.

A pressão pela saída de Weintraub aumentou após a revelação das declarações na reunião ministerial de 22 de abril, na qual chamou o ministros do Supremo de vagabundos e defendeu mandá-los para a prisão. As falas repercutiram mal no Judiciário, mas acabaram aplaudidas pela ala ideológica bolsonarista nas redes sociais. Na reunião, Weintraub também disse odiar os termos “povo indígena” e “povo cigano”, o que gerou investigação por racismo no Supremo. O ministro teve, inclusive, de prestar depoimento junto à Polícia Federal sobre as manifestações.

A avaliação no Palácio do Planalto é de que a investigação contra o ministro não terá um desfecho feliz caso ele continue a frente do governo. Isso porque no último domingo o ministro voltou a usar a expressão “vagabundos” durante a manifestação em Brasília. Desta vez, ele não fez referência direta aos ministros do Supremo, como em abril.

As novas manifestações serviram como combustível para que ministros próximos a Bolsonaro pedissem a saída imediata de Weintraub como uma sinalização de busca pela paz. Deputados próximos a Bolsonaro defendem, inclusive, que o nome do novo indicado seja sugerido por aliados políticos. Porém, segundo fontes, Bolsonaro resiste e quer alguém de perfil ideológico.

Com Weintraub demissionário, aliados do presidente Jair Bolsonaro começaram a sugerir nomes de pessoas que inslusive já estão na estrutura do governo como a Secretária de Educação Básica do MEC, Ilona Beckskehazy, e o presidente da Capes, Benedito Aguiar. Além desses, o nome do ex-ministro Mendonça Filho foi ventilado como uma opção que agradaria ao Centrão. O educador Antônio Freitas, da FGV, também já foi aventado como uma opção para a pasta.

No Senado, parlamentares criticam a ausência de senadores em ministérios e lembram que Bolsonaro já indicou quatro deputados para compor o governo. Líderes partidários sugerem o nome de Izalci Lucas (PSDB-DF), já que a indicação dele beneficiaria Luiz Felipe Belmonte, suplente de Izalci e criador do Aliança pelo Brasil. Porém Izalci sofre resistência por ser do PSDB. Desde o ano passado, o senador, que tem atuação na área da educação, já era cotado para a vaga.

 

 

 

 

O Globo Online

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