‘Bolsonaro diz que está tomando vermífugo; isso pode matá-lo’, diz Haddad

Ex-prefeito de São Paulo e candidato a presidente em 2018, o petista Fernando Haddad ironizou neste domingo (19) a afirmação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de que tomou o vermífugo Annita (nome comercial da nitazoxanida) para tratar da Covid-19.

“Bolsonaro diz que está tomando vermífugo. Isso pode matá-lo”, afirmou Haddad no Twitter.

No sábado (18), Bolsonaro disse a apoiadores no jardim do Palácio da Alvorada que, após ser infectado pelo novo coronavírus, além da hidroxicloroquina, também começou a tomar o vermífugo.

“Eu comecei a tomar essa semana também Annita. Alguém vai me condenar por isso agora?”, questionou.

Ambos os medicamentos não têm eficácia comprovada no tratamento da Covid-19.

Em maio, o ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) chegou a anunciar que o governo faria protocolos de testes com o nitazoxanida contra a doença.

Ontem, ao falar com simpatizantes diante do Palácio da Alvorada, Bolsonaro tirou do bolso uma caixa de hidroxicloroquina, remédio que ele diz estar tomando para combater os sintomas da Covid-19. Ele agitou a embalagem, enquanto os apoiadores aplaudiam e gritavam.

O presidente anunciou no último dia 7 que contraiu o novo coronavírus, após realizar exames para detectar o vírus.

Bolsonaro decidiu realizar o teste após sentir sintomas leves: febre baixa e tosse. À época, a assessoria do Palácio do Planalto disse que Bolsonaro mantinha “bom estado de saúde”.​

Depois, o presidente publicou um vídeo nas redes sociais em que tomava uma dose de hidroxicloroquina e afirmava que “com toda certeza” o tratamento para o novo coronavírus estava “dando certo”.

​“Eu confio na hidroxicloroquina, e você?”, afirmou. “Sabemos que hoje em dia existem outros remédios que podem ajudar a combater o coronavírus, sabemos que nenhum tem a sua eficácia cientificamente comprovada, mas mais uma pessoa que está dando certo”, disse em referência a si próprio logo após tomar um copo de água para engolir o medicamento.

Além de nenhum estudo científico até o momento confirmar a eficácia do remédio, ele pode causar danos colaterais graves.

Folha de S. Paulo

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