Auditores da Receita Federal na Paraíba entregam cargos após aumento para policiais

Servidores da Receita Federal na Paraíba que atuam em cargos de confiança aderiram ao movimento articulado nacionalmente e entregaram os cargos na Paraíba. São auditores e analistas que têm cargos de delegados e chefes do órgão tributário. Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), já houve baixa de todos os delegados em 10 regiões fiscais do País: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

De acordo com o Sindifisco, trata-se de um movimento nacional, e a estimativa é a de que cerca de 500 servidores de todo o país já entregaram seus cargos.

O ato em conjunto acontece após o governo Bolsonaro e aliados terem cortado recursos do órgão e inserido a previsão de aumento para policiais no Orçamento de 2022. Eles reclamam também da não regulamentação de um bônus para o setor.

Hoje, cerca de 2.000 funcionários ocupam funções de chefia na receita, que ainda conta com 7.000 auditores e 5.500 analistas, de acordo com o sindicato.

Kleber Cabral, presidente do Sindifisco, disse que há risco de greve do órgão. “Esses cortes na Receita foram feitos para propiciar reajustes para as carreiras policiais”, disse.

O Congresso aprovou R$ 1,7 bilhão para conceder aumento de salário a servidores, uma demanda do presidente Jair Bolsonaro, em aceno à sua base eleitoral. Embora o Orçamento não defina que categorias serão beneficiadas, o acordo é para dar aumento a policiais.

Para Cabral, o acordo mostra que o governo desprestigia a Receita.

“Causou uma indignação muito grande dentro do órgão. Foi um fogo no palheiro. Já existia um sentimento de desprestígio acumulado de muito tempo, mas agora isso chegou e causou uma indignação enorme. Está havendo desde ontem uma entrega de cargos em todo o país. Cerca de 90% dos chefes de unidade já entregaram os cargos.

Cabral disse que a aprovação do reajuste a policiais federais mostrou um “apreço muito especial [da categoria] por parte do ministro da Justiça, o que é natural, pelo presidente da República e por parte do Congresso”. Em contraposição, para ele, a Receita está sofrendo cortes de orçamentos que são essenciais para o seu funcionamento.

Possibilidade de greve

Segundo o sindicato, será realizada uma assembleia hoje para definir se haverá uma paralisação total das atividades da categoria, incluindo a operação padrão na área aduaneira.

A ação, declara o presidente da Sindifisco, é para ver se o governo federal e o Congresso “acordam para o grau de descompromisso” que tiveram com o órgão.

“Não sobrou alternativa, a não ser demonstrar com muita força, muita contundência, o grau de indignação que isso tem causado. É uma situação de sobrevivência do órgão. Foi cortada metade dos recursos e mais de R$ 600 milhões só a área de Tecnologia da Informação”, disse.

 

 

1 comentário

  • Igor Flávio lacet Xavier
    08:59

    Aí quando a população diz que um dos grandes câncer do Brasil são os funcionários públicos eles ainda acham que são injustiçados prestam um serviço de péssima qualidade ganham muito bem em relação aos outros como seria maravilhoso não existe funcionários públicos

Comentários

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