“As lesões existem, os médicos não estão inventando”, diz diretor do Trauma de CG

O diretor geral do Hospital de Trauma de Campina Grande, o médico Geraldo Antônio Medeiros, rebateu na manhã desta terça-feira (19) insinuações de que os relatos de ataques com agulhas no Parque do Povo são inventados.

“As lesões existem, os médicos do Trauma não estão inventando”, disse o médico, durante entrevista na Rádio Campina FM. Ele manifestou apoio aos médicos do Trauma, onde as vítimas foram atendidas.

Segundo Geraldo Medeiros, os médicos do Trauma foram agredidos com as insinuações de que tudo não passa de invenções, confundindo, inclusive, a população.

“O próprio ouvinte não vai entender como é que dez, quinze médicos e 40 pessoas vão inventar que foram furadas. Isso é uma afirmativa totalmente irresponsável e denota o caráter político, mesquinho, de quem afirma esse tipo de agressão”, disse o diretor do Trauma.

Durante a entrevista ele esclareceu alguns aspectos que foram “ventilados pela Secretaria Municipal de Saúde de Campina em relação ao Trauma”.

Segundo ele, um assunto de saúde pública e policial se tornou um questionamento político. “Isso denota o grau de preocupação dessas pessoas com a saúde pública da população e que se preocupam exclusivamente em esconder a verdade. E os fatos estão mostrando que os médicos, os clínicos do Hospital de Trauma estavam com a razão quando identificaram a presença de lesões nessas vítimas”, afirmou Geraldo Medeiros.

Sobre os questionamentos feitos inicialmente sobre o fato das vítimas terem procurado o Trauma e não outros postos de saúde, o médico disse que tudo em Campina Grande, hoje, em relação a saúde, a população procura o Hospital de Trauma.

“Mesmo o perfil de doentes que não deveriam nem ir para o Hospital de Trauma, eles procuram e são acolhidos, porque, infelizmente, a Secretaria Municipal de Saúde dispõe de um setor que em apenas 4 turnos dispõe de médicos. Então, se o indivíduo fosse furado no sábado à noite, ele ia procurar na outra semana um dia que tivesse médico para ele se apresentar. É esta a realidade da saúde pública em Campina Grande. Como o Trauma possui infectologista e uma comissão de infecção hospitalar com sete componentes que é a melhor do estado, as pessoas já sabem disso e todas elas recorreram e foram acolhidas no Trauma, obedeceram ao protocolo de saúde pública e todas as vítimas foram orientadas a tomar o coquetel e realizar a imunização para hepatite B.

Rebateu também informações que circularam dizendo que o Trauma estava se negando a fornecer a relação das pessoas que foram vítimas. Ele explicou que recebeu a solicitação, formalizada, na última sexta-feira (15), às 14h. Disse que o jurídico do hospital está analisando o pedido, ressaltando que existe a questão do sigilo médico. Ele disse que o Trauma iria consultar o Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) sobre a disponibilização da relação das vítimas, do prontuário, que só deve ser feito mediante autorização do CRM.

“Essas vítimas não querem aparecer. Elas temem ser rotuladas como portadoras do vírus e todas elas solicitam para não aparecer. É tanto que nas entrevistas elas aparecem com as imagens ofuscadas para preservar a individualidade dessas vítimas.

CRM – O diretor de fiscalização do Conselho Regional de Medicina da Paraíba, Dr. João Alberto, disse hoje ao ParlamentoPB que os prontuários dos pacientes não podem ser liberados, só com autorização de cada paciente.

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