Após fala transfóbica, Bruno, da dupla com Marrone, pede desculpas à repórter

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O sertanejo Bruno, da dupla com Marrone, pediu desculpas por uma fala transfóbica direcionada a uma repórter. Ele publicou um vídeo nas suas redes sociais na noite desta segunda-feira (15).

“Estou aqui para pedir desculpas para Lisa Gomes, pelo que eu perguntei para ela. Fui totalmente infantil, fui totalmente inconsequente. Eu quero pedir desculpa, não tem como voltar no tempo. Pedir perdão para ela”, diz no vídeo.

Na noite de sexta-feira (12), durante um evento sertanejo, Bruno fez uma pergunta transfóbica à jornalista Lisa Gomes, da Rede TV!. Lisa se preparava para entrevistar o cantor quando este perguntou: “você tem p…?”.

Lisa, que é uma mulher trans, também publicou um vídeo no mesmo horário em que fala sobre o ocorrido, mas não comenta o pedido de desculpas do cantor.

“Foi horrível o que eu passei. Foi horrível o que eu escutei, porque me levou, me trouxe novamente um lugar que eu não gostaria de estar novamente”, diz em seu relato em seu Instagram.

“Esse processo de transição é um processo muito doloroso, muito difícil, porque eu nunca soube lidar muito bem com essa questão da aceitação do corpo, tudo isso que vocês já conhecem em relação às mulheres trans”, diz a repórter. “De uma forma mais clara, porque a gente nasce no corpo errado.”

Ela diz que teve seus direitos violados, e que precisou tomar calmantes desde sexta-feira, dia do ocorrido.

“Eu me senti invadida. Senti minha intimidade exposta de uma forma como eu não gostaria que fosse. Então, tudo isso me fez muito mal, de voltar a um lugar que eu não gostaria. E quanto vem de um artista tão consagrado, tão querido do público, porque como artista, como cantor, eu acho ele sensacional, sabe? Como cantor assim uma voz incrível”, diz

Ela, então, direciona a sua fala ao cantor. “Mas, no mais, não tem o que falar. Eu me senti desrespeitada, sim, por você, Bruno. E eu não gostaria que você sentisse isso também, porque é muito ruim”, diz no registro. “Eu acho que você nunca vai passar e nunca vai sentir o que eu estou sentindo agora, nesse momento, que é justamente essa coisa de sentir invadida, sabe? Como mulher, como mulher trans”, afirma.

“Eu estava lá para trabalhar, eu estava lá para exercer a minha função como repórter, com todo o amor do mundo, como eu sempre faço. Eu estava lá trabalhando. Não fui me divertir, eu fui trabalhar para divulgar você, divulgar seu trabalho”, diz.

“A retração maior é reconhecer mesmo, que o que fez não foi legal, que machucou, que incomodou, não só a mim, mas toda uma comunidade. Essa comunidade que busca por respeito, que busca por espaço no mercado de trabalho.”

Ela ainda agradece o carinho que recebeu do público e dos amigos depois do ocorrido.

“Quero aproveitar e deixar aqui um recadinho de que transfobia não é opinião. É crime e vocês precisam estar conscientes disso. Obrigada, gente. Amo vocês”, diz.

 

G1

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