Advogado de árbitros investigados na Operação Cartola tem “convicção de inocência”

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Novos contornos começaram a se desenhar na fase jurídica do processo que ficou conhecido como Operação Cartola. Em entrevista ao Programa Microfone Aberto (da Rádio Tabajara) e confirmando, em seguida, ao jornalista Petrônio Torres, o advogado Aécio Farias, que defende alguns árbitros acusados de participarem de supostas manipulações de resultados no Campeonato Paraibano de Futebol do ano passado, disse não ter dúvida da inocência dos seus clientes e dos demais.

O advogado disse que chegou a essa conclusão após os depoimentos de apenas um terço das testemunhas de acusação. “Dos 12 que foram depor como testemunhas de acusação, na primeira audiência, nenhum apresentou provas nem disse ter presenciado compra de resultados de partidas, árbitros ou assistentes para manipular o placar dos jogos. Aliás, apenas quatro, no total de 12, depuseram e os outros oito foram dispensados pelo Ministério Público, pela repetitividade das falas e dos argumentos semelhantes do tipo: ‘ouvi dizer’ e ‘me disseram’. Então, diante da fragilidade do que foi dito pela acusação estou convicto da absolvição”, explicou.

Ainda segundo Aécio Farias, na próxima audiência, marcada para o próximo mês, as testemunhas de defesa dos seus clientes, que podem ser até oito por cada acusado, provavelmente serão dispensadas. “Não existem provas palpáveis, concretas, contra meus clientes. Como já falei, só tem o ‘ouvi dizer’ e ‘me disseram’. E isso, na minha ótica, não condena ninguém”, confirmou.

Áudios

Em relação aos áudios, Farias disse que, além dele os outros advogados de defesa dos acusados não ouviram e estranha que apenas parte da imprensa teve acesso com “exclusividade” às gravações. “Como é que a defesa dos acusados não teve acesso aos áudios e parte ‘privilegiada’ da imprensa, teve? É muito estranho. Mas, mesmo assim ,não dizem nada de relevante que incriminem meus clientes”, completou.

Contradição

Além de tudo já citado por Farias, o advogado fez questão de ressaltar o que chamou de contradições e inverdades ditas pelo declarante Gilvanez Araújo, que foi ex-assistente do quadro de árbitros da Federação Paraibana de Futebol. “Ele afirmou que existe um áudio no qual o ex-presidente da Comissão de Arbitragem de Futebol da Paraíba, José Renato, afirma ter vendido ao Treze um confronto contra o Botafogo-PB, na final do Campeonato Paraibano de 2017. Depois, disse que esta partida negociada teria acontecido na fase semifinal da competição de 2018. Ele corrigiu, em seguida, e afirmou que quis se referir ao ano de 2017. Só que naquele ano, Treze e Botafogo não duelaram na semifinal. Os dois clubes decidiram a competição, com o Belo sendo o campeão paraibano. Ele não sabia o que dizia, senão tivesse participado da audiência na condição de declarante, sairia preso e algemado”.

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