Leonardo Dantas

Servidor público por precisão, jurista por formação e educador por paixão. É pós-graduado em Direitos Humanos, Cidadania e Políticas Públicas pela UFPB. Contato: leonardodantas09@gmail.com


A prova de fogo para Ricardo Coutinho

Ricardo vive um momento muito singular e difícil na sua trajetória política: terá que conviver, pela primeira vez, com a mancha e a desconfiança que a Operação Juízo Final imprimiu no seu currículo e no julgamento dos eleitores.

O discurso da idoneidade moral, da honestidade, ficha limpa, sempre foi uma das suas principais marcas, usado magistralmente, com grande eficiência, tanto para sua autopromoção como para desqualificação de seus adversários.

Agora, no entanto, terá que amargar, até o último dia do processo eleitoral, as frequentes e indigestas acusações moralizadoras dos seus concorrentes, em tons de ressentimento e revanche, como a presenciada no bate-boca ocorrido fora das câmeras entre ele e Ruy Carneiro, em um debate de TV, que virou até caso de polícia, com representação ao GAECO…

Em textos anteriores eu havia afirmado que, depois da Operação Juízo Final, Ricardo nunca mais seria o mesmo e que, para ele, politicamente, “acabou-se o mundo”… Mas acho que superestimei o eleitorado, porque imaginei que a publicização daquelas conversas telefônicas promoveriam um abalo muito maior do que as últimas pesquisas têm demonstrado: segundo o IBOPE, Ricardo figura em 3º, forte, no pelotão de frente….

O discurso da moralidade tem sido obviamente deixado de lado por ele, que investe mais na sua capacidade de gestão, comprovada pelas realizações operadas em seus governos… Mas a questão ética não cairá no esquecimento, porque, como dito, essa lembrança ficará estrategicamente a cargo dos seus adversários, que abordarão com insistência, enfrentamento e performance.

A confusão com o PT local, que não aceitou apoiá-lo e, por essa razão, sofreu intervenção do diretório nacional, acaba por dividir e consequentemente enfraquecer as forças de esquerda, afetando também sua candidatura. Some-se a isso o momento geral da sociedade brasileira, de valorização de ideias conservadoras, que elegeu o Presidente da República.

Por essas e outras, o Mago, que nunca perdeu uma disputa eleitoral em sua carreira, se vê diante de uma prova de fogo, que poderá, de um lado, dá-lhe fôlego e renovar-lhe as energias, ou, de outro, golpeá-lo ainda mais… Veremos.

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