Dom Manoel Delson

Dom Manoel Delson cursou Filosofia e Teologia em Nova Veneza (SP) e no Instituto de Teologia da Universidade Católica de Salvador (BA). É licenciado em Letras e tem Mestrado em Ciência da Comunicação Social, em Roma, na Pontifícia Universidade Salesiana. É Arcebispo da Paraíba.


A Páscoa também traz a consciência que preserva a vida humana!

O Tempo Pascal nos coloca diante da recorrente exigência social da Paz. O mundo tem necessitado de Paz. Contudo, para os cristãos, a Paz não é somente um bem-estar da convivência humana. A Paz do Cristo Ressuscitado é verdadeira e é fruto de constante conversão dos corações humanos. “Esta paz é o fruto da vitória do amor de Deus sobre o mal, é o fruto do perdão. E é precisamente assim: a paz verdadeira, a paz profunda, deriva da experiência da misericórdia de Deus” (Papa Francisco, 2013).

Como cristãos situados no mundo concreto, querido e amado por Deus, precisamos estar atentos aos constantes ataques contra a cultura da vida. Mesmo em tempos de isolamento social, não podemos deixar os nossos postos em favor da vida humana, desde a concepção até o declínio natural. Não podemos admitir que pauta abortista seja imposta ao povo brasileiro, principalmente, quando estamos em situação de vulnerabilidade, decorrente da pandemia. Refiro-me a decisão do STF de agendar para o próximo dia 24, o julgamento da ADI 5581, sobre a liberação do aborto em caso de zika vírus. Como homens e mulheres pascais, isto é, como defensores da Paz do Cristo que morreu e ressuscitou, não podemos aceitar o avanço gradativo e oportunista da mentalidade de que o povo brasileiro já está preparado para aceitar a execução de pautas garantidoras da cultura de morte. Não é verdade! O povo brasileiro está sim sob o Estado Laico, mas não somos um povo sem religião e que negocia o direito de viver, em qualquer circunstância.

A Páscoa do Senhor é para nós uma realidade transformadora. O velho se torna novo. O fraco recobra o vigor. O pecador encontra a salvação. E também poderíamos afirmar que o amor dos pequenos indefesos, dos que não conhecemos seus rostos mas que já estão sendo gestados, é mais forte que a morte (Cf. Ct 8,6). O uso da razão natural não nos permite sermos promotores do aborto: “Esta destruição direta da vida humana inocente jamais pode ser justificada, por mais difíceis que sejam as circunstâncias, que podem levar determinadas pessoas a dar um passo tão grave como este. Quando pregardes o Evangelho da Vida, recordai ao vosso povo que o direito à vida de cada ser humano inocente, nascido ou nascituro, é absoluto e deve ser aplicado com igualdade a todos os indivíduos, sem qualquer tipo de exceção. Esta igualdade ‘é a base de todo o relacionamento social autêntico que, para o ser verdadeiramente, não pode deixar de se fundar sobre a verdade e a justiça’ (Evangelium vitae, n. 57). Que a Paz, que só nos vem da fé em Jesus, nos ajude na construção de sociedades mais justas e fraternas para todos. Também justas e fraternas para os que não podem se defender, os nascituros!

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